Não renegue os pobres. Artigo de Gianfranco Ravasi

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06 Outubro 2026

"Nesse contexto histórico constante, onde a arrogância pública e privada contaminam a vida civil, onde a insolência e a vulgaridade se tornam quase um emblema de orgulho, onde a arrogância do sucesso é uma lei superior a qualquer dogma, é essencial reiterar o compromisso do autêntico 'secularista' e do verdadeiro crente de 'nunca negar os pobres'", escreve Gianfranco Ravasi, ex-prefeito do Pontifício Conselho para a Cultura, em artigo publicado por Il Sole 24 Ore, 04-10-2026.

Eis o artigo.

Dá-me, Senhor, a força para tornar meu amor útil e frutífero./ Dá-me a força para nunca negar aos pobres,/ para nunca dobrar o meu joelho perante a insolência dos poderosos…

Rabindranath Tagore (1861-1941) é a voz poética indiana mais conhecida no Ocidente, e os versos citados acima, retirados do poema Gitanjali, Oferenda de Canções (1910), sua obra mais amplamente divulgada na Itália, permitem-nos compará-lo idealmente ao testemunho de São Francisco, cuja festa celebramos hoje, este ano marca o oitavo centenário de sua morte, que ocorreu na noite entre 3 e 4 de outubro de 1226.

Sob a bandeira do amor, ele apresenta um tipo de programa de vida que tem duas faces: por um lado, o respeito participativo pelos pobres e, por outro, a firmeza contra a opressão do poder, que não conhece limites éticos nem compaixão. Uma mensagem religiosa que se manteve constante ao longo dos séculos e em todas as regiões e culturas do mundo: é isso que emerge na conexão ideal entre duas figuras tão diferentes, o santo medieval de Assis e o poeta místico de Calcutá. Nesse contexto histórico constante, onde a arrogância pública e privada contaminam a vida civil, onde a insolência e a vulgaridade se tornam quase um emblema de orgulho, onde a arrogância do sucesso é uma lei superior a qualquer dogma, é essencial reiterar o compromisso do autêntico "secularista" e do verdadeiro crente de "nunca negar os pobres".

Eles são o estrangeiro, o refugiado, o doente, o faminto, o prisioneiro, o marginalizado, a vítima da guerra. Paralelamente a isso deve estar — como Tagore continua — a escolha de "não se curvar diante da insolência dos poderosos", uma tentação que sempre surge, especialmente para ganho pessoal. Gostaríamos, no entanto, de concluir com um aforismo de compre jacintosa mesma sabedoria à qual Tagore pertence, a hindu: "Se tiveres dois pedaços de pão, dá um aos pobres. Vende o outro e compra jacintos para alimentar a tua alma e a dele."

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