“Super El Niño” ameaça 25 milhões de crianças e pode aumentar desigualdade na América Latina

Foto: Pixabay

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03 Outubro 2026

Segundo o UNICEF, uma em cada sete crianças da América Latina e Caribe pode sofrer com secas e inundações mais severas nos próximos meses.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 01-10-2026.

Os impactos do “Super El Niño” podem afetar pelo menos 25,8 milhões de crianças na América Latina e no Caribe, de acordo com estimativas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Segundo a organização, uma em cada sete crianças da região enfrenta riscos crescentes devido à seca e às inundações mais severas, o que exacerba desigualdades e vulnerabilidades e interrompe o acesso a serviços essenciais.

Uma das áreas mais impactadas será a América Central, que já sofre com os efeitos de uma forte seca. O chamado “Corredor Seco”, que inclui partes da Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua, enfrenta condições mais severas de estiagem que devem afetar a produção agrícola, aumentando a insegurança alimentar e os riscos de desnutrição. A seca também deve causar problemas no Caribe, ao mesmo tempo em que as águas quentes do mar seguem representando um risco de formação de tempestades e furacões intensos.

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Já na costa do Pacífico, do México ao Chile, no sul do Brasil, e em partes da Argentina, Paraguai e Uruguai, as chuvas acima da média devem aumentar o risco de inundações, danos às infraestruturas e interrupções em serviços, como escolas, postos de saúde e sistemas de abastecimento de água. Na Amazônia, o problema será a falta de água, que deve reduzir os níveis dos rios, isolando comunidades ribeirinhas e indígenas.

“Os efeitos cada vez mais visíveis e severos do El Niño ameaçam empurrar ainda mais crianças para uma situação de maior vulnerabilidade e aumentar as desigualdades já existentes. Precisamos agir agora para fortalecer a preparação, proteger os serviços essenciais e garantir que as crianças recebam o apoio de que precisam”, destacou Roberto Benes, diretor regional do UNICEF para a América Latina e Caribe.

Para fortalecer a resposta à crise, o UNICEF pediu aos governos, parceiros e doadores mais recursos para ações preventivas, adaptação climática e financiamento específico para a infância. Para 2026, o órgão da ONU solicitou US$ 53,8 milhões (R$ 280,7 milhões) para preparação e resposta à crise na América Latina e Caribe. No entanto, até 30 de junho, ainda persistia uma lacuna de financiamento de 55%.

El País, O Globo, RFI e VEJA repercutiram os números do UNICEF.

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