A ameaça de Putin à OTAN: "Estamos prontos para usar armas nucleares para defender Kaliningrado"

Foto: Wikimedia Commons | The White House

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30 Setembro 2026

Carta formal de Moscou à Aliança: "Podemos atacar suas capitais." Aviso após os exercícios conjuntos UE-EUA em torno do enclave de Kaliningrado: "Eles querem nos dividir." 

A reportagem é de Claudio Tito, publicada por La Repubblica, 30-09-2026.

"A Rússia estará pronta para empregar todo o arsenal de forças e capacidades à sua disposição, incluindo armas nucleares, para defender seu território caso os países da OTAN tentem isolar a região de Kaliningrado do resto do país." Este é o trecho mais sensível da carta enviada pelo Kremlin aos líderes da OTAN. A ameaça é explícita, escrita pela primeira vez e entregue aos aliados por meio de um canal formal, a embaixada russa na Bélgica. E se concentra em duas palavras: "armas nucleares". Uma explosão do passado, dos piores momentos da Guerra Fria. Os ataques híbridos dos últimos quatro anos se tornam, assim, um alerta nuclear. O pretexto é o exercício realizado no verão passado pela Aliança Atlântica em torno do enclave báltico de Kaliningrado, entre Polônia, Lituânia e Letônia. E, de fato, a carta fala explicitamente de uma "escalada sem precedentes da situação político-militar em torno da região russa de Kaliningrado, acompanhada de declarações públicas altamente provocativas por parte de autoridades dos aliados da OTAN."

A reação de Moscou visa, portanto, aumentar as tensões e intimidar o Ocidente. "Essa conduta perigosa e imprudente", continua o Kremlin, "implica um alto risco de um conflito armado direto, com a possibilidade de ataques russos contra os centros de decisão dos Estados-membros da Aliança desde os estágios iniciais do conflito". Na mensagem de Putin, os parceiros da OTAN são instados a "abster-se de novas ações desestabilizadoras e de escalada, a fim de evitar um conflito em larga escala". E "em larga escala" é uma espécie de sinônimo de guerra mundial, ligado ao potencial "isolamento" de Kaliningrado, e não apenas a um ataque real. Essa expressão eleva o nível de ameaça: a guerra também poderia ser desencadeada em resposta a um exercício militar conjunto.

A resposta da Aliança Atlântica foi clara. A porta-voz Allison Hart confirmou a carta e anunciou a resposta, que enfatizou que "somos uma Aliança defensiva e que nenhuma de nossas atividades ou exercícios representa um risco para qualquer parte do território russo". A resposta também condenou "a ameaça do uso da força, incluindo qualquer retórica nuclear irresponsável", especificando que o apoio a Kiev não seria retirado: "O uso de táticas híbridas pela Rússia é um sinal de desespero. Mas não nos deixaremos dissuadir de apoiar a Ucrânia. Temos o que é preciso para defender cada centímetro do território aliado." A OTAN admite que o exercício em Kaliningrado tinha como objetivo demonstrar a capacidade de controlar o enclave em caso de agressão militar russa contra a Europa. Mas, na verdade, foi apenas uma demonstração.

Moscou se recusa a aceitar a resposta de Bruxelas. Tanto que o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Lavrov, reiterou sua posição: "A Europa está, sem dúvida, travando uma guerra contra nós. Se nos acusa de destruir a infraestrutura usada pelo regime nazista (na Ucrânia, nota do editor), com apoio ocidental, para uma guerra contra a Federação Russa, então estamos recorrendo à força bruta para reprimir uma ameaça direta." Essas palavras provocaram uma nova reação do Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte. "A Rússia", alertou ele, "continua sua campanha imprudente de ações hostis. Mas está fracassando no campo de batalha. Faremos mais pela Ucrânia, não menos." E o presidente do Comitê Militar da OTAN, Giuseppe Cavo Dragone, foi ainda mais direto: a Rússia quer "nos destruir". Isso deveria convencer até os "mais céticos" sobre investir em segurança, especialmente para prevenir ataques como o sofrido no verão passado na Estônia por uma empresa de defesa.

E o fato de a Rússia pretender aumentar o nível do conflito é demonstrado pela nova ordem executiva de Putin para recrutar mais 15.500 soldados.

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