Sinodalidade e espiritualidade franciscana são outros termos para o ecumenismo do Vaticano II

"São Francisco Abraçando um Leproso"(1787) por Zacarías González Velázquez Foto: Wikimedia Commons/Domínio público

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30 Setembro 2026

"Sua mente provavelmente estava repleta de perguntas como: Se ao beijar um leproso, Jesus pode se revelar a mim, o que aconteceria se eu abraçasse os diferentes tipos de lepra no mundo inteiro?"

O artigo é de Abhita D'Silva, publicado por Global Sisters Report, 29-09-2026.

Eis o artigo.

No dia 4 de outubro, celebramos a festa de São Francisco de Assis. Durante minhas meditações matinais, encontrei tesouros escondidos na vida deste adorado homem de Deus. Francisco beijou um leproso certa vez e, instantaneamente, reconheceu aquele leproso como Jesus.

Sua mente provavelmente estava repleta de perguntas como: Se ao beijar um leproso, Jesus pode se revelar a mim, o que aconteceria se eu abraçasse os diferentes tipos de lepra no mundo inteiro?

O beijo de Francisco no leproso foi recíproco, simbolizando uma responsabilidade ainda maior em relação à conversão dos corações e à renovação da Igreja por dentro.

Várias perguntas me vieram à mente: Que tipo de lepra eu tenho? Será que é a hesitação causada pela discriminação racial? Será que é a divisão entre "nós" e "eles"? Será que é uma disputa entre imigrantes e nativos?

Francisco demonstrava compaixão e atenção pelos pobres, e beijar o leproso foi o ponto de virada que o levou a seguir o caminho do Evangelho. Como seguidor da espiritualidade franciscana, não vejo muitas novidades no sínodo sobre a sinodalidade, a não ser a adequação a um modelo radical de ecumenismo de São Francisco de Assis.

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Ao longo de 12 anos de trabalho com jovens nas dioceses de Bombaim, Goa e Vasai, aprendi que preciso praticar o que prego e caminhar conscientemente com eles, servindo de modelo para a sua própria jornada de esperança. Acompanhando os jovens, descobri que o melhor caminho para o coração deles é fazê-los encontrar o próprio caminho. Nunca acreditei em treinar os jovens, mas sim em capacitá-los com uma visão cósmica: a unidade de todos (João 17,21), que Francisco abraçou.

O teólogo australiano Ormond Rush descreve a sinodalidade como "o Concílio Vaticano II em poucas palavras". Ao orientar jovens na espiritualidade franciscana, constato que a visão sinodal está claramente articulada no "Cântico da Criação" de São Francisco de Assis.

A geração mais jovem de hoje busca novas formas de igreja e espiritualidade. A ênfase do sínodo na sinodalidade é dar voz a todos os seres, incluindo o meio ambiente. Aqui, senti a necessidade de guiar os jovens a compreenderem que "vocês são o templo do Santo" (1 Coríntios 6,19). Esta é uma percepção alegórica que significa que todo ser neste corpo cósmico do universo é sagrado. Visto que o espírito de Deus habita em nós e ao nosso redor, devemos tratar o corpo cósmico de Cristo com respeito.

A forma sinodal de proclamação do Evangelho foi idealizada por São Francisco de Assis no século XII. A Irmã Beneditina Joan Chittister afirma isso claramente: "Se o século XX recebeu alguma vez a chave para o segredo da sabedoria em um mundo caótico, essa chave foi Francisco". A sinodalidade de caminhar juntos é uma imagem antiga na Igreja como uma comunidade em peregrinação, atenta a cada voz dentro de nós, ao nosso redor e em nosso interior.

O que nos trai é nossa corrida desenfreada para a ascensão social. É aqui que Francisco de Assis nos conduz, para trilharmos a pobreza profética, seguindo os passos do Jesus nômade.

Hoje, em uma sociedade onde o egocentrismo, o individualismo e uma falta de visão distorceram a identidade da juventude, São Francisco surge como um louco. Sua sociedade e seu pai o consideravam insano. Ao renunciar a um alto cargo no exército e aos negócios da família para viver com os pobres, Francisco abriu, em certo sentido, o caminho sinodal como uma peregrinação de esperança. Seu coração era um santuário para o qual ele caminhava.

Os jovens são atraídos pelo trabalho árduo, pelo dinheiro e pela riqueza, mas Francisco nos oferece um mantra radical do Evangelho: "Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mateus 6,33). Ao priorizarmos o reino de Deus e a Sua vontade, receberemos tudo o que precisamos, muitas vezes em abundância, o que nos ajudará a sermos generosos ao praticarmos boas obras. Francisco de Assis provou que a providência divina está facilmente disponível a todos. Não como uma recompensa por nossas boas obras, mas como um meio para o serviço altruísta aos pobres e necessitados.

O tema do Jubileu de 2025, Peregrinos da Esperança, nos convida, especialmente os religiosos e religiosas consagrados, a retornar às nossas raízes de entrega confiante ao cuidado providencial de Deus por todos os seres. Francisco experimentou o poder do beijo como metanoia — uma transformação total do coração. Precisamos desesperadamente que Francisco conduza a juventude em uma peregrinação sinodal de esperança.

Para mim, a ascensão social é uma espécie de lepra. As fraturas mundanas, as divisões baseadas em dogmas, as convulsões sociais e monetárias têm dividido os seres humanos uns dos outros. Um caminho de conversão pessoal e comunitária para gerar mudanças radicais é um dom de Francisco de Assis para a nova evangelização.

A primeira exortação apostólica do Papa Leão XIV, Dilexi Te, oferece-nos um roteiro claro: escolher viver ao lado dos pobres, excluídos e marginalizados será benéfico para todos, "para descobrir a sua riqueza e tudo o que eles têm e podem dar ao mundo e à Igreja hoje".

Francisco de Assis exemplificou esse amor, que tem a extraordinária capacidade de transformar até mesmo as áreas mais sombrias de nossas vidas em algo radiante de luz de Cristo. Ele nos ensinou a "pregar o Evangelho em todos os momentos; se necessário, usar palavras". Portanto, a conversão da Igreja depende da minha conversão pessoal e da minha consciência.

Ao beijar o leproso, Francisco despertou para a consciência eterna, criando uma relação com todo o universo como irmãos e irmãs.

A experiência de conversão de Francisco foi o ponto de partida do sínodo, com seus três pilares: comunhão com o leproso, participação na entrega total ao plano de Deus e missão de cura da consciência — "caminhar juntos".

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