Em quem votar nas eleições de 2026? Artigo de Frei Gilvander Luís Moreira

Campanhas dos presidenciáveis Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). (Ricardo Stuckert/Fotos Públicas) | (Vitor Salles/FotosPúblicas)

Mais Lidos

  • ​Sociólogo analisa a conjuntura eleitoral e os possíveis desfechos da eleição de domingo. “Diria que hoje, para sermos mais conservadores na análise, os dois vão para o segundo turno com um viés de alta para o Lula”

    Eleições 2026: “Brasil pode entrar numa rota de conflito interno e de ingovernabilidade radical”. Entrevista especial com Rudá Ricci

    LER MAIS
  • Falta de perspectiva em relação ao futuro e divisão ideológica marcam as eleições deste domingo,  diz o cientista político e professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

    Eleições 2026: frustração é o sentimento que domina o brasileiro. Entrevista especial com Benedito Tadeu César

    LER MAIS
  • Comprometidos no cuidado da Vinha do Senhor. Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

30 Setembro 2026

"A história demonstra que são os políticos de partidos de esquerda os que se dedicam a aprovar leis e criar políticas públicas, que defendem os direitos dos pobres e da natureza. Logo, quem é da classe trabalhadora, camponesa e até da classe média, se quiser colocar no poder alguém que, de fato, represente o povo, deve votar em candidatos do espectro político da esquerda."

O artigo é de Frei Gilvander Luís Moreira.

Gilvander é frei e padre da Ordem dos Carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma, Itália; agente e assessor da CPT/MG, assessor do CEBI e Ocupações Urbanas; prof. de Teologia Bíblica no Serviço de Animação Bíblica, em Belo Horizonte.

Eis o artigo.

Em quem votar nas eleições de 2026? Esta pergunta deve estar preocupando muita gente, a menos de uma semana para o 1.º turno das eleições. O ideal seria que ninguém precisasse tentar convencer ninguém a votar em um candidato “x” ou “y”.

Seria bom que bastasse apenas dizer “vote consciente”, “não venda seu voto, pois voto não tem preço, tem consequência”. Vote em candidato/a com história de luta pelo bem comum. No entanto, na realidade, isso não basta.

Se vivêssemos em uma sociedade justa, ética, solidária, com responsabilidade socioambiental e geracional, uma sociedade de justiça, paz e respeito entre as pessoas e em convivência respeitosa com todos os seres vivos da criação, com igualdade de oportunidades para todos e todas, as pessoas, via de regra, teriam acesso às principais informações que lhes garantiriam optar pelos melhores candidatos/as.

Entretanto, vivemos numa sociedade capitalista que reproduz diariamente a brutal desigualdade socioeconômica, com ideologia dominante, meios de comunicação controlados por grandes empresários e big techs que inundam mentes e formam opinião sem crítica.

Assim, cria-se uma cortina de fumaça multiplicada por uma montanha de fake news que embaçam o horizonte e que, por exemplo, nas eleições de 2018, levaram a maioria do eleitorado a eleger o pior presidente da história do Brasil – um fascista da extrema-direita que, com política de morte pelo não enfrentamento correto da Covid-19, por zombar de quem estava morrendo asfixiado sem oxigênio, por ter atrasado a compra de vacina, levou a óbito mais de 720 mil pessoas, entre as quais, ao menos, 400 mil poderiam ter sido salvas. Um “homem de bem” que disseminou armas e apoiou devastadores ambientais, “passando a boiada” sobre os territórios de povos e comunidades tradicionais.

Bispos da Igreja Católica, da CNBB, alertam que o discernimento sobre em quem votar precisa levar em conta os princípios e critérios assegurados na Doutrina Social da Igreja, que apregoa respeito à dignidade humana, compromisso com a ética, defesa da causa dos pobres e dos direitos humanos, o bem comum e a proteção à natureza, que é sagrada e tem muitos direitos.

O Deus da bíblia ouviu o clamor das pessoas escravizadas no Egito e desceu para caminhar junto com o seu povo, rumo à terra prometida e à libertação. Jesus Cristo não ficou em cima do muro. Posicionou-se, firmemente, ao lado das pessoas empobrecidas, marginalizadas e excluídas. Em outras palavras, podemos intuir que, hoje, Jesus votaria em candidatos/as da esquerda.

Feliz quem aprende com a história. Ao olharmos para a nossa história, observamos que, para além do que os candidatos e candidatas falam, o que faz a diferença é o que fazem e o que deixam de fazer. A história de atuação dos candidatos eleitos demonstra que políticos de partidos de direita (e, pior, de extrema-direita) nunca defendem direitos do povo trabalhador e camponês, e nem defendem direitos da natureza — que, repito, é sagrada e tem muitos direitos.

Políticos de direita e de extrema-direita defendem apenas regalias para uma minoria já privilegiada na sociedade capitalista. Pensam que, apenas com repressão, irão resolver problemas de segurança pública e que só o mercado e o empenho individual levarão as pessoas a melhorarem de vida. São contra tudo o que beneficia os pobres e contribui para a sua emancipação. Quais são os partidos de direita e de extrema-direita? Existem vários: PL, NOVO, PP, Republicanos, União, PRD e outros.

🔍 Adicione o Instituto Humanitas Unisinos – IHU às suas fontes favoritas do Google

A história demonstra que são os políticos de partidos de esquerda os que se dedicam a aprovar leis e criar políticas públicas, que defendem os direitos dos pobres e da natureza. Logo, quem é da classe trabalhadora, camponesa e até da classe média, se quiser colocar no poder alguém que, de fato, represente o povo, deve votar em candidatos do espectro político da esquerda. E quais são os partidos de esquerda ou de centro-esquerda? Há vários: UP, PSTU, PSOL, PT, PCdB, PCB, PSB, REDE, PDT e outros.

Entrará para a história como cúmplice quem se omitir ou ficar em cima do muro nesta eleição, na qual dois projetos diametralmente opostos estão em baila. De um lado, sob a liderança de Lula, um projeto que defende a democracia, a soberania, políticas socioambientais, direitos trabalhistas, previdenciários e humanos. Do outro lado, sob a liderança de Flávio Bolsonaro, um projeto que entrega o país e o povo para os ditames da idolatria do mercado, para à subserviência aos EUA, para à tirania do colonialismo, com o aniquilamento das instituições que garantem a democracia.

Comparando os dois candidatos a presidente com real chance de serem eleitos, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), é óbvio que, com Lula, estará assegurado o caminho para garantirmos o regime democrático, a luta por direitos do povo e da natureza e a luta para que, de fato, o Brasil continue a ser um estado laico, capaz de assegurar a liberdade religiosa. O outro candidato tem evidentes relações com milicianos, com a corrupção em muitos casos, e já declarou inúmeras vezes que pretende colocar o Brasil, de joelhos, diante dos Estados Unidos.

Em muitos países, a tentativa de implementação de governos ditatoriais e de tendência fascista tem sido característica básica da extrema-direita. O Brasil não pode cair nesta vala, que trará a amputação da democracia e cortes brutais em direitos trabalhistas, previdenciários, humanos e ambientais, conquistados nas últimas décadas, com muita luta, suor e sangue. Que, nessa hora grave, na qual devemos votar no presidente da República, assim como para o governo dos Estados, deputados e deputadas estaduais, a Câmara Federal e 2/ 3 do Senado, a espiritualidade de todas as religiões e os diversos caminhos de fé nos guiem para escolher e votar em candidatos e candidatas que, de fato, tenham compromisso com a justiça ecossocial e a paz. Que o Amor Divino nos ilumine e conduza nesse caminho.

Inscreva-se no evento aqui.

Leia mais