‘Santa transformou Flávio Bolsonaro de evangélico em católico em 24 horas’, ironiza analista

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29 Setembro 2026

Para presidente da Abrapel, polêmica religiosa, unida a medidas econômicas e à proibição de bets reconfigura cenário.

A reportagem é de José Bernardes, Larissa Bohrer e Maria Teresa Cruz, publicada por Brasil de Fato, 28-09-2026.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 39% das intenções de voto contra 34% de seu principal oponente, Flávio Bolsonaro (PL), no primeiro turno das eleições, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (28). No segundo turno, ambos aparecem com 42%, portanto, numericamente empatados.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Mara Telles, presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel) e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os temas econômicos são os que mais influenciam. “As pessoas votam por aquilo que elas percebem e não necessariamente por causa daquilo que acontece e que os números mostram”, afirma.

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Para Telles, a campanha de Lula nessa reta final conseguiu capturar isso, anunciou medidas econômicas e sociais, como o Desenrola 3.0 e o reajuste do Bolsa Família, e se dedicou ao eleitorado feminino. “Aumentou o medo entre as mulheres de Flávio Bolsonaro ganhar. Esse efeito sobre as mulheres acaba fazendo com Lula cresça nesse segmento. São 11 pontos percentuais de diferença entre os candidatos nesse segmento”, destaca.

A analista também considera que a proibição de bets no Brasil, anunciada pelo governo Lula na última sexta-feira (25) tem se mostrado um acerto. “A medida é aprovada tanto por homens quanto por mulheres”, resume. O outro ponto de impacto na disputa eleitoral e que tem fortalecido Lula é a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. “Isso provocou um estrago na campanha de Flávio Bolsonaro, uma vez que conseguiu capturar um eleitorado que nem a campanha de Lula, equivocadamente, havia observado, que são os católicos. E também a fala da CNBB de defender a democracia e a soberania”, avalia. “Ontem [domingo], Flávio se declarou evangélico; hoje desfila com uma santa. Então a coisa só vai embolando na campanha e na cabeça do eleitor. A santa transformou Flávio Bolsonaro de evangélico para católico em menos de 24 horas”, ironiza.

Com relação à redução do número de indecisos e como isso se relaciona à performance de Flávio e Lula, Mara Telles aponta que é um movimento esperado e natural, uma vez que a campanha começa para valer e as pessoas passam a prestar mais atenção. “Isso não significa que esse eleitor indeciso vai se decidir. Seria importante que os institutos de pesquisa mostrassem com mais clareza qual o perfil desse eleitor”, observa.

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