Liberdade religiosa: o direito humano silencioso. Artigo de Christof Haverkamp

Foto: Vivek Doshi/Unsplash

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23 Outubro 2025

"Aqueles que se comprometem com os direitos humanos não devem permanecer em silêncio quando a liberdade religiosa é violada – mesmo que os interesses econômicos os tentem", escreve Christof Haverkamp, em artigo publicado por Katholisch, 22-10-2025.

Christof Haverkamp é porta-voz de imprensa e chefe de relações públicas da Igreja Católica em Bremen e representante da emissora da Igreja Católica na Rádio Bremen.

Eis o artigo.

A liberdade religiosa não é uma questão que gera grandes manchetes ou garante altas taxas de cliques. Mas o fato de pessoas ao redor do mundo serem perseguidas, discriminadas e criminalizadas por causa de sua fé, forçadas a se converter ou até mesmo assassinadas – isso merece mais atenção. E significativamente mais protestos.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em Paris em 1948, menciona a liberdade de pensamento, consciência e religião em seu Artigo 18. De uma perspectiva cristã, esse ideal está enraizado na dignidade inviolável de todo ser humano. Mas a liberdade religiosa existe apenas no papel; não é executável. Até mesmo a China garante a liberdade religiosa, pelo menos formalmente. Na prática, comunidades religiosas são reprimidas no país. Há poucos dias, as autoridades prenderam 30 pastores e outros membros da congregação evangélica Sião, e uma operação policial em todo o país foi realizada.

A China não é um caso isolado. Onde a religião não pode ser controlada, ela é vista como uma ameaça por muitos governantes autoritários. A liberdade religiosa também está em risco na Eritreia, no Irã e na Nicarágua. Aparentemente, o papel das igrejas no colapso das ditaduras comunistas na Europa ainda serve como um alerta para aqueles que estão no poder hoje.

É precisamente por isso que a política externa alemã é aqui convocada. Aqueles que se comprometem com os direitos humanos não devem permanecer em silêncio quando a liberdade religiosa é violada – mesmo que os interesses econômicos os tentem. O compromisso com a liberdade religiosa é sempre também um compromisso com as minorias: com os coptas no Egito, com os uigures na China e com todos aqueles que são perseguidos por causa de sua fé e só podem praticá-la em segredo.

Mas não é preciso ir tão longe. Ataques a sinagogas, mesquitas e igrejas também estão aumentando na Alemanha. Judeus e muçulmanos estão sofrendo ódio e intimidação. Tais atos não devem ser banalizados — devem ser denunciados.

A liberdade religiosa raramente é notícia. Mas sua proteção é necessária. Isso demonstra o quão livre uma sociedade é.

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