“A ajuda mútua surge em situações extremas”. Entrevista com Pablo Servigne

Foto: Landiva Weber/Pexels

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24 Setembro 2026

Etólogo, colapsologista e agora pesquisador “interradependente”, Pablo Servigne estará em Caen e na comuna de Hérouville-Saint-Clair (Departamento de Calvados) em 23 de setembro de 2026 para dois eventos: no Le Moho na hora do almoço e no La Fonderie à noite. Estará nesses lugares para promover os mecanismos de ajuda mútua dentro do território, que ele acredita ser a melhor maneira de lidar com as crises ambientais.

A entrevista é publicada por Ouest-France, 21-09-2026. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Para começar, uma pergunta sobre o presente: como você viveu o verão que acabamos de vivenciar?

Vivenciei as consequências do aquecimento global em primeira mão, à medida que os incêndios se aproximavam de onde moro, na região do Drôme. Eu vi as chamas, senti seu calor e aspirei o cheiro da fumaça. Um incêndio é incrivelmente difícil de suportar, como se o fim do mundo sobre o qual venho falando nos últimos 15 anos tivesse batido à minha porta.

Admito que, como lançador de alertas, fico bastante irritado com os líderes que ousam dizer que esses desastres não poderiam ter sido previstos. Mas na minha cidade, diante dos incêndios, também testemunhei ajuda mútua. Essa solidariedade necessária da qual venho falando há tanto tempo também se tornou evidente para mim. É disso que quero me lembrar.

De fato, você coloca a ajuda mútua no centro das suas falas: qual é a sua intenção ao afirmar essa ideia?

Os estudos mostram que, em tempos de crise, os seres humanos recorrem naturalmente à ajuda mútua. Os trabalhadores humanitários e os antropólogos de todo o mundo observaram que a ajuda mútua se multiplica durante situações extremas. E a gestão de crises ocorre de forma mais tranquila quando a ajuda mútua já está presente na sociedade de antemão. É isso que digo em meus workshops e conferências: a sociedade precisa formar um tecido social forte para enfrentar as crises climáticas da maneira mais eficaz possível. Precisamos mostrar que o egoísmo não funciona quando se trata de enfrentar tempestades de qualquer tipo.

O que lhe vem à mente quando associa a Normandia à ecologia?

Isso acontece porque tenho memórias de infância da cidade portuária de Cherbourg (Departamento de Manche)! Além disso, tive a oportunidade de visitar a comuna de Bec-Hellouin (Dep. de Eure) em 2022, durante uma onda de calor: a temperatura chegou a 43°C, tivemos que colocar nossos computadores na geladeira e a horta ficou esturricada. Parecia uma premonição do que estava por vir.

Aqui, como em todo lugar, há sinais de colapso. Nenhuma área está a salvo: o litoral de vocês está sofrendo com a erosão, por exemplo. Sei também que vocês estão numa região muito dependente da energia nuclear. Uma fonte de energia compreensível no curto prazo, mas que tornou o país dependente e dificulta a agilidade necessária para uma verdadeira transição. Mas, como em todo lugar, há muitas iniciativas aqui, associações, autoridades eleitas, que estão caminhando na direção certa e que, tenho certeza, formarão redes muito úteis para futuras crises.

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