24 Setembro 2026
A fé que nos sustenta é a fé em um Deus que falhou, que também foi forçado a carregar a cruz, que foi vilipendiado por todos os seus adversários. Curiosamente, ou talvez não tão curiosamente, essa mesma economia capitalista, ou esse poder religioso onipotente, que também colaborou com o próprio Jesus e o condenou, continua a condená-lo hoje. Condenando Jesus e a própria humanidade no genocídio de Gaza.
O artigo é de Javier Baeza, sacerdote em Vallecas, publicado por Religión Digital, 23-09-2026.
Eis o artigo.
Você me pediu minha avaliação desta segunda Marcha de Padres Contra o Genocídio em Roma. E a verdade é que foi muito boa. A organização foi impecável. Como sempre, havia menos pessoas do que gostaríamos, embora mais de cem de nós fôssemos padres. Senti falta de ver mais leigos, mas é verdade que o sinal, o símbolo, é importante.
Foi um período de aprendizado, de obtenção de informações em primeira mão sobre outras iniciativas que acontecem em diferentes países, da Inglaterra e Irlanda à África do Sul, Sudão, Chade, Itália, França e Espanha, bem como Alemanha e Brasil. Essa diversidade de participantes enriqueceu o evento.
Padres Contra o genocídio. (Foto: Javier Baeza/Religión Digital)
Sem dúvida, o mais impactante foi o sudário que todos carregamos juntos, com os nomes das 309 crianças mortas em Gaza entre outubro de 2025 e agosto de 2026. Foi emocionante ler aqueles nomes e carregar aquele sudário pelas ruas de Roma. A primeira vez foi na Via della Conciliazione, passando por tantas embaixadas. Outra vez, em frente ao pórtico da Praça São Pedro. E mais uma vez, aos pés da missão diplomática palestina.
Claramente, a fé que nos sustenta é a fé em um Deus que falhou, que também foi forçado a carregar a cruz, que foi vilipendiado por todos os seus adversários. Curiosamente, ou talvez não tão curiosamente, essa mesma economia capitalista, ou esse poder religioso onipotente, que também colaborou com o próprio Jesus e o condenou, continua a condená-lo hoje. Condenando Jesus e a própria humanidade pelo genocídio de Gaza.
O sudário das crianças mortas em frente à empresa Leonardo. (Foto: Javier Baeza/Religión Digital)
Esta jornada foi avassaladora. Enquanto caminhávamos, cantávamos, ouvindo trechos dos Evangelhos, escritos de vários teólogos e até mesmo do próprio Papa Leão XIV, até chegarmos à empresa Leonardo, esse vasto império que fabrica as armas com as quais Israel assassina o povo palestino. A majestade de seu reluzente edifício de vidro contrasta fortemente com toda a escuridão, cinzas e melancolia com que suas armas são capazes de contribuir para o genocídio da Palestina.
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Em frente àquele prédio que ofusca com a morte, ouve-se o grito de alguns cristãos, e também de mulheres cristãs que se juntaram ao final, de pessoas que não têm mais poder do que a nossa palavra, que não têm mais poder do que o nosso silêncio e, sobretudo, que têm e acreditam nesse poder do silêncio, da oração e do clamor ao bom Deus para que traga sanidade a esses loucos como Netanyahu, apoiados pelo silêncio cúmplice da Europa e pelas mãos assassinas do presidente Trump.
Quero acreditar que tudo o que for feito para pôr fim a essa barbárie desumana beneficiará não apenas o povo palestino, mas também o povo de Israel e toda a humanidade.
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