Governo Trump diz que Brasil falhou no combate ao PCC e CV

Foto: Arquivo/Agência Brasil

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17 Setembro 2026

Relatório da Casa Branca diz que grupos criminosos do Brasil representam "ameaça à segurança mundial", e pede ações do governo brasileiro. PCC e CV foram recentemente classificados nos EUA como organizações terroristas.

A reportagem é publicada por DW, 16-09-2026.

Um documento enviado pelo governo dos Estados Unidos ao Congresso americano nesta terça-feira (15/09) acusa o Brasil de fracassar no combate às organizações criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).

No relatório assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, a Casa Branca lista os países considerados grandes produtores de drogas ou importantes rotas do narcotráfico e avalia os esforços de governos estrangeiros no combate ao tráfico de entorpecentes. O documento, obrigatório por lei, é enviado anualmente aos parlamentares.

Na avaliação da Casa Branca, os grupos criminosos do Brasil representam uma "ameaça à segurança mundial", com o país transformado pelas duas facções em um hub para o fluxo global de cocaína.

O relatório aponta que, enquanto outros governos ocidentais implementam "medidas corajosas" para erradicar cartéis, o Brasil não adotou medidas suficientes contra o PCC e o CV.

O governo americano pede que o Brasil adote "com urgência, medidas enérgicas" para enfrentar as duas organizações, recentemente incluídas pelos EUA em sua lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

"Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa adotar com urgência medidas firmes para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e se fortaleçam", diz o documento.

Aceno a países alinhados a Washington

O Brasil, porém, permanece fora da lista oficial de países produtores ou de trânsito de drogas e também não recebeu a classificação de governo que "falhou de forma demonstrável" em suas obrigações. Mesmo assim, a inclusão do país no relatório deste ano representa uma mudança em relação ao documento de 2025, quando o Brasil não foi citado.

O documento contém críticas a vários países e, ao mesmo tempo, sinais de apoio a governos latino-americanos alinhados a Washington, seguindo a abordagem adotada pela Casa Branca em relação aos países da região.

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O relatório menciona trocas recentes de governo em alguns países da América do Sul, como Venezuela, Bolívia e Colômbia, que, segundo diz, "criaram oportunidades históricas para a cooperação dos Estados Unidos". O documento relata avanços nesses países, mas adverte que ainda são necessárias novas medidas para combater o narcotráfico.

No total, 23 países foram classificados pelos EUA como locais de trânsito ou de produção de drogas. O Brasil não consta nessa lista, que inclui a China, Afeganistão, Colômbia, El Salvador, Guatemala, México, Paquistão, Peru e Venezuela.

O relatório acusa Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia de falharam ao cumprir as obrigações previstas em acordos internacionais de combate ao narcotráfico.

Críticas também ao México e Canadá

O documento pede às duas nações vizinhas, México e Canadá, esforços maiores para impedir a entrada de drogas em território americano. Os EUA querem que o México adote medidas mais rigorosas para combater os cartéis. Já o Canadá deve agir para acabar com laboratórios clandestinos de produção de drogas.

Em relação à China, o documento diz que, apesar de Trump ter conversado com o presidente Xi Jinping sobre o combate à entrada de fentanil produzido ou comercializado ilegalmente nos EUA, Pequim precisa fazer mais para reduzir o fluxo de substâncias usadas na produção da droga.

Washington diz que a inclusão de um país na relação não representa necessariamente uma avaliação negativa sobre os esforços de um determinado governo, uma vez que também são levados em conta fatores geográficos, comerciais e econômicos.

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