Gigantes da IA ​​querem se submeter às suas próprias regras para lidar com cenários apocalípticos

Chatbots das principais empresas de IA. (Foto: Solen Feyissa/Unplash)

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15 Setembro 2026

A OpenAI, a Anthropic e o Google estão liderando o intenso debate sobre os riscos dessa tecnologia em relação à autorregulamentação que controla o setor.

A reportagem é de Jordi Pérez Colomé, publicada por El País, 14-09-2026.

A demissão de um jovem pesquisador da Anthropic na última terça-feira desencadeou um debate sobre quando a IA poderá dizimar a civilização e como evitar que isso aconteça. Quase todos os líderes e especialistas do setor expressaram suas opiniões neste fim de semana, variando de apaixonadas e conspiratórias a fervorosas. O veredicto, quase uma semana depois, parece ser que a melhor estratégia, por ora, é o setor encontrar maneiras de se autorregular.

Sam Altman, CEO da OpenAI, acredita que “ter regras comuns para gerenciar os riscos da fronteira [IA mais avançada] e, assim, maximizar seus benefícios parece uma boa ideia”. Ele escreveu isso na manhã de segunda-feira no X, uma rede social que se tornou um fórum para debates sobre esse perigo. A ideia não é nova nem original. A OpenAI, a Anthropic e o Google discutem desde julho como criar um órgão para definir padrões para a indústria de IA, como revelou o The Information, uma publicação especializada no Vale do Silício.

Tal órgão deveria estar sob a jurisdição do governo dos EUA, mas Donald Trump e seu conselheiro de IA, David Sacks, já declararam que não têm interesse em restringir ou regulamentar nada. Sacks afirma que prefere deixar que o mercado lide com as penalidades caso algum produto ultrapasse seus limites e causeproblemas como ataques cibernéticos. “Sigam em frente, definam o ritmo da fronteira. Vocês são os que a definem. A maneira mais fácil de evitar a construção de superinteligência é concordar em não construí-la. Exigir sua estrutura regulatória preferida como preço para isso parecerá chantagem para o público e o sistema político”, escreveu Sacks na rede X.

As empresas estão cientes de que os democratas já estão buscando uma agenda muito mais rigorosa em relação à regulamentação da IA ​​e podem retomar o controle do Congresso dos EUA nas eleições de meio de mandato de novembro, o que os aproximaria da promulgação de regulamentações mais rígidas. O ex-presidente Barack Obama acaba de pedir que seu partido assuma a liderança no controle da IA. O senador democrata Bernie Sanders já elaborou um projeto de lei que proibiria qualquer progresso em direção à superinteligência. Nesse contexto, a autorregulamentação seria o menor dos males para as gigantes da tecnologia.

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Embora as principais empresas americanas estejam defendendo uma maior autorregulamentação, elas desejam o apoio do governo Trump para tornar esses limites globais. “Onde precisaremos da ajuda do nosso governo é na coordenação internacional. Mas, primeiro, temos que fazer o que está ao nosso alcance”, escreveu Altman. Amodei também deixou claro: “Uma parte essencial para ditar o ritmo nas democracias é manter a vantagem da IA ​​sobre as autocracias o mais ampla possível”.

Em meio à enxurrada de opiniões das últimas horas, uma se destaca: a de Satya Nadella, CEO da Microsoft, que ofereceu apoio moderado à ideia de autorregulamentação. "Apoiamos a pesquisa, a concentração de esforços e o ritmo moderado necessários para um alinhamento bem-sucedido, que foi um objetivo do projeto desde o início. Também apoiamos ideias como 'avaliadores integrados' e, em geral, as tentativas de criar os mecanismos necessários para que isso não fique apenas na teoria", escreveu Nadella nas redes sociais. "O essencial é que isso não possa ser controlado por um punhado de atores, mas sim que tenha ampla representação de todo o ecossistema, de diferentes países e setores, incluindo a academia", acrescentou.

Essa referência velada à “ampla representação” pode apontar não apenas para a China, mas também para algumas empresas americanas que não estão dispostas a esconder nada. A Meta é a única grande empresa que não mencionou essa necessidade. Até mesmo Elon Musk, criador do chatbot Grok, disse neste sábado que Amodei tinha razão em ter suas dúvidas. Ambas as declarações são referências claras à China, a principal rival dos EUA nessa corrida. A China vê isso como uma manobra típica da "Guerra Fria", segundo um editorial do jornal estatal Global Times, que considera as palavras de Amodei uma tentativa de "sufocar o desenvolvimento da IA ​​na China por meio de barreiras tecnológicas e monopólios regulatórios, e de manter a hegemonia monopolista de Washington em tecnologia de ponta".

Em meio a essa troca de acusações, o Ministério da Inteligência chinês afirmou que a IA pode representar um perigo para a segurança interna do país: "Forças hostis e pessoas com segundas intenções estão abusando de tecnologias generativas de IA para fabricar rumores políticos em larga escala e a baixo custo", alertou o Ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin. O governo espanhol, por sua vez, está pressionando por algum tipo de acordo global, segundo o Ministro da Transformação Digital, Óscar López. “Donald Trump não deu ouvidos a quem desenvolve IA, porque são apenas alguns especialistas de ponta que realmente sabem o que está acontecendo, e eles dizem que a situação pode sair do controle”, afirmou em entrevista à TVE.

Uma das funções que parece mais aceita, caso esse novo órgão autorregulador surja, é a de observadores independentes dentro das empresas: "Avaliadores integrados podem verificar nos mínimos detalhes se uma empresa de IA está realmente seguindo as práticas de treinamento, implantação, operação e salvaguardas que alega seguir", escreveu Amodei em sua mensagem.

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