“A inteligência artificial pode nos matar a todos antes do fim da década”

Foto: MrWashingt0n | pixabay

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10 Setembro 2026

Um engenheiro e ex-funcionário da Anthropic e da OpenAI denuncia a corrida para construir um modelo de IA capaz de se aperfeiçoar a si mesmo, sem que ninguém avalie os riscos que isso acarreta.

A reportagem é publicada por CTXT, 09-09-2026. 

Jacob Coxon, engenheiro e pesquisador britânico de inteligência artificial, de 27 anos, é o mais recente cientista a se somar à onda de demissões voluntárias nesse setor por motivos éticos. Coxon trabalhou nos últimos três anos em projetos de pré-treinamento, primeiro na OpenAI e depois na Anthropic. Após seu pedido de demissão desta última, publicou uma série de mensagens em sua conta no X nas quais alerta para a falta de responsabilidade das big techs, às quais acusa de não entender bem o que estão fazendo e quais consequências seu trabalho pode ter. "Estão numa corrida direta rumo à criação de uma superinteligência capaz de se aperfeiçoar a si mesma e estão brincando com nossas vidas", afirma.

Eis a tradução de suas declarações.

"Hoje deixei meu emprego na Anthropic. Passei os últimos três anos fazendo pesquisa de pré-treinamento tanto para a OpenAI quanto para a Anthropic. Nenhuma das duas empresas está agindo de maneira responsável. Estão competindo diretamente para chegar à superinteligência autoaperfeiçoável e estão brincando com nossas vidas. [...]

Não subestimem o poder dessa tecnologia. Em breve serão sistemas sobre-humanos capazes de hackear qualquer coisa, revolucionar qualquer campo da noite para o dia e obter poder e recursos reais. Todos temos testemunhado o avanço em todas essas áreas, e não se está freando isso.

As pessoas que a constroem acreditam sinceramente que a IA poderia matar a todos nós antes que a década termine. Isso não é uma estratégia de marketing. Se algo, muitos executivos e pesquisadores seniores suavizam suas declarações à imprensa para transmitir prudência, mas já ouvi essas mesmas pessoas expressarem medo em particular. Nenhuma outra atividade humana encerra esse nível de perigo.

Uma reação habitual é: 'Se realmente pensam isso, por que continuam construindo?'. Na OpenAI, muitos ainda não terminaram de entender o que está em jogo para a civilização. Na Anthropic, sim, entendem os riscos, mas estão presos numa corrida para chegar primeiro: acreditam que os outros não vão agir de maneira responsável, por isso devem fazê-lo eles mesmos, apesar do perigo.

Aceitar essa corrida e entrar no 'final de partida' é uma aposta arrogante que não deveria ser lançada a partir do Slack [plataforma de trabalho] de uma empresa privada. Precipitar-se com o alinhamento [fazer com que a IA adira a determinados valores e a uma ética humana] só deveria ser feito se tivermos absoluta certeza de que não há outra maneira melhor de fazê-lo.

Ainda tenho esperança de que possamos nos coordenar. Incidentes como o ataque ao Hugging Face demonstraram os perigos e tornaram mais fácil para os laboratórios americanos aceitarem a ideia de limitar o desenvolvimento. No entanto, não acho que estejamos no caminho certo para evitar uma corrida em nível mundial. Para conseguir isso, provavelmente precisaremos tomar medidas drásticas e custosas, como proibir temporariamente o aprimoramento das capacidades dos modelos.

Se você trabalha num laboratório de pesquisa, encorajo-o a refletir sobre como as coisas vão se desenvolver nos próximos anos. Você quer fazer parte de um experimento de treinamento de IAs superinteligentes sem entender a fundo como funciona sua mente? Prefere olhar para o outro lado porque, afinal, isso vai acontecer de qualquer jeito? Ou vai se posicionar para que as coisas sejam feitas de outra forma?"

Cientistas como Evan Hubinger, líder do departamento de Ciências do Alinhamento na Anthropic, responderam ao alerta de Coxon reconhecendo que "realmente acreditamos que a IA poderia matar todos os seres humanos". Hubinger atribui a esse cenário mais de 10% de chances de se concretizar.

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