Perdoe os outros com a medida do amor incondicional de nosso Deus. Comentário de Consuelo Vélez

Foto: Mayur Gala/Unsplash

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11 Setembro 2026

"A nossa fé cristã chama-nos a redobrar os nossos esforços, comprometendo-nos com o diálogo e o perdão para construir a verdadeira paz"

O comentário do Evangelho do 24º Domingo do Tempo Comum (06-09-2026) é de Consuelo Vélez, teóloga colombiana, publicado por Religión Digital, 08-09-2026.

Eis o comentário.

Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?”

Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e seus filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei tudo’. Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. Ao sair dali, aquele empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei’. Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que ele pagasse o que devia. 

Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. Não devias, tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. É assim que meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão” (Mateus 18,21-35).

Neste domingo, continuamos a leitura de parte de Mateus, capítulo 18, que, como mencionamos no domingo passado, é um capítulo eclesiológico que apresenta algumas diretrizes para o comportamento dos membros da Igreja. O texto segue os versículos anteriores, que descreveram o que fazer quando um irmão ou irmã peca. Portanto, Pedro pergunta: Quantas vezes devemos perdoar as ofensas de nosso irmão ou irmã? Até sete vezes? E Jesus responde que não devem ser apenas sete vezes, mas setenta vezes sete. O número 7 significa "sempre", então setenta vezes significa "quantas vezes forem necessárias".

Jesus não apenas dá essa resposta, mas também acrescenta uma parábola sobre o reino dos céus, ilustrando ainda mais as atitudes que os membros da comunidade cristã devem ter. A parábola narra como um rei, que ia vender um trabalhador e toda a sua família porque lhe deviam 10 mil talentos, foi comovido pelo pedido do trabalhador por mais tempo e não apenas o deixou ir, mas perdoou-lhe toda a dívida. No entanto, o que se segue contém a mensagem central do texto. O mesmo homem cuja dívida o rei havia perdoado enfrentou uma situação semelhante com um companheiro de trabalho que lhe devia apenas 100 denários — uma quantia ínfima comparada à dívida que tinha com o rei — e, embora o companheiro de trabalho também implorasse por misericórdia, o rei foi incapaz de demonstrá-la e o enviou para a prisão até que pagasse sua dívida.

Ao ouvirem isso, os outros servos ficaram tristes e foram contar ao rei. O rei, enfurecido, chamou o servo que havia perdoado e o repreendeu por não ter demonstrado a mesma compaixão. Em seguida, ordenou que ele fosse entregue aos torturadores até que pagasse toda a sua dívida. Jesus advertiu os discípulos de que o Pai Celestial faria o mesmo com eles se não perdoassem os outros de coração.

A mensagem desta parábola é o que pedimos na Oração do Senhor: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Em outras palavras, o amor a Deus é inseparável do amor ao próximo e, portanto, se Deus nos ama com amor incondicional, nós também devemos amar nossos irmãos e irmãs com o mesmo amor.

Este Evangelho é particularmente relevante para os nossos tempos, em que a guerra, a força e a competição prevalecem nas sociedades capitalistas, transformando os outros em rivais em vez de irmãos e irmãs. A nossa fé cristã chama-nos a redobrar os nossos esforços, comprometendo-nos com o diálogo e o perdão para construir a verdadeira paz.

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