Que possamos compreender o que é o Reino dos Céus e demonstrá-lo por meio de nossas ações. Comentário de Consuelo Vélez

Foto: Paul Zoetemeijer | Unsplash

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23 Julho 2026

"As duas primeiras parábolas compartilham a mesma mensagem. O reino é tão valioso que vale a pena 'vender tudo' para adquiri-lo. É isso que fará aquele que encontrar o tesouro e aquele que descobrir a pérola de grande valor", escreve Consuelo Vélez, teóloga colombiana, em comentário publicado por Religión Digital, 22-07-2026.

Eis o artigo.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo.

O Reino dos Céus é também como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola.

O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam.

Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes.

Compreendestes tudo isso?” Eles responderam: “Sim”.

Então Jesus acrescentou: “Assim, pois, todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.

 (Mateus 13,44-52).

A leitura do Evangelho de hoje nos oferece as três últimas parábolas que Mateus apresenta no capítulo 13. Resumidamente, Jesus compara o reino a um tesouro escondido num campo, a um comerciante de pérolas que vende tudo para comprar uma de grande valor e a uma rede que apanha toda sorte de peixes. Ele dá a esta última parábola uma interpretação alegórica e conclui com a história de um escriba que se torna discípulo.

As duas primeiras parábolas compartilham a mesma mensagem. O reino é tão valioso que vale a pena "vender tudo" para adquiri-lo. É isso que fará aquele que encontrar o tesouro e aquele que descobrir a pérola de grande valor. Compreender o valor do reino dá sentido a toda renúncia, a toda mudança de perspectiva, à verdadeira conversão que envolve "dar meia-volta" para trilhar um novo caminho.

A parábola da rede é muito semelhante à do trigo e do joio. A ênfase está na rede lançada, que recolhe todos os tipos de peixes. Inicialmente, todos cabem na rede. Somente mais tarde surge a interpretação alegórica, com seu significado escatológico, pois serão os anjos que separarão os justos dos ímpios, e estes últimos serão lançados na fornalha ardente. E lá, todos sofrerão, o que se expressa nas palavras "choro e ranger de dentes". Uma leitura literal deste texto levou a imaginar o inferno como um lugar de fogo e sofrimento. Mas, na realidade, na visão de mundo judaica, o que é inútil é lançado ao fogo; portanto, não se trata do inferno, mas do vazio de uma vida sem Deus, de Sua ausência.

O texto conclui com a pergunta sobre se eles entenderam isso, uma pergunta que acompanhou todo este capítulo dedicado à pregação de Jesus por parábolas, não porque Jesus queira ocultar o reino, como dissemos três domingos atrás, mas porque é possível que seus adversários se recusem a entender, obstinadamente se recusando a abrir seus corações a esta mensagem. Finalmente, surge a figura de um escriba que se torna discípulo, e o texto acrescenta que ele é como um dono de casa que tira de seu depósito tanto o novo quanto o velho. Talvez o escriba que se abre para receber o reino seja capaz de distinguir entre a antiga lei, que começa a ser substituída pela nova, pela lei do reino.

Vale a pena nos perguntarmos o quanto realmente compreendemos todas essas parábolas que Jesus usou para explicar o que é o Reino dos Céus. Talvez uma simples resposta afirmativa não seja suficiente. Nossas ações demonstrarão, de fato, se realmente compreendemos.

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