Mudanças climáticas podem triplicar área de incêndios florestais na Europa

Foto: Greenpeace

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21 Agosto 2026

Os incêndios florestais podem se tornar mais intensos e recorrentes nos verões europeus se a temperatura média do planeta continuar subindo descontroladamente, segundo um estudo publicado na revista Global Change Biology. A pesquisa revela que, em um cenário de aquecimento superior a 3,6ºC em relação aos níveis pré-industriais, a área incendiada no continente europeu pode quase triplicar até o final deste século.

A informação é publicada por ClimaInfo, 20-08-2026.

Mesmo no melhor cenário analisado, com aquecimento estimado em 1,8ºC até 2100, a área queimada ainda cresceria 39%. Melhorias na gestão de incêndios poderiam moderar esses aumentos em mais de 70%, mas não erradicá-los completamente.

O estudo reforça que o caminho para evitar que a Europa se torne um continente tomado pelo fogo nos verões ainda é o mais óbvio: conter as mudanças climáticas, reduzindo as emissões associadas à queima de combustíveis fósseis.

“Investimentos contínuos em medidas climáticas e na prevenção e no combate a incêndios florestais podem ajudar até certo ponto. Porém, se não tomarmos medidas de mitigação das mudanças climáticas, teremos cada vez mais eventos extremos no futuro, e isso poderá limitar o gerenciamento de incêndios de maneira geral”, explicou Maik Billing, do Instituto de Potsdam de Pesquisa Climática (PIK) e autor principal do estudo, à Folha.

Os pesquisadores compararam a área queimada projetada para o período de 2070 a 2100 com os resultados modelados para o período de 2000 a 2030 e descobriram que o aumento das condições climáticas favoráveis a incêndios foi o principal fator de mudança. No cenário otimista, com o mundo 1,8ºC mais quente, algumas regiões apresentaram aumentos moderados nas condições propícias ao fogo, enquanto outras sofreram poucas alterações. Já no cenário pessimista, com a temperatura média global elevada em 3,6ºC, o estudo indica uma piora consistente das condições em praticamente todo o continente.

A temporada atual de incêndios na Europa já é um sinal. Houve registros de incêndios em regiões historicamente pouco propícias ao fogo, como o norte da França, o País de Gales e a Escócia. Nas áreas mais propícias, especialmente no sul do continente, o fogo é mais potente e mais difícil de combater, alimentado por sucessivas ondas de calor, ventos fortes e baixa umidade.

“Os incêndios [deste ano] mostram como as condições climáticas quentes, secas e ventosas podem rapidamente sobrecarregar os bombeiros e seus recursos. Com as mudanças climáticas, as condições podem se tornar tão extremas que realmente atingiremos os limites do que podemos fazer para prevenir e combater os incêndios quando eles chegarem a um certo tamanho”, comentou Kirsten Thonicke, pesquisadora do PIK e coautora do estudo, citada pela Scientific American.

Daily Mail, DW, Forbes, Guardian, Inside Climate News e Phys também repercutiram o estudo.

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