12 Agosto 2026
A perspectiva cada vez mais concreta de um “Super El Niño” nos próximos meses pressiona gestores públicos em todo o Brasil a tomar medidas para prevenir e mitigar os potenciais impactos do fenômeno sobre a economia e a infraestrutura, mostra o Valor. Municípios, estados e o governo federal se desdobram para implementar seus planos, apesar das restrições orçamentárias e eleitorais.
A informação é publicada por ClimaInfo, 12-08-2026.
O Valor apresentou um panorama da preparação da União e de alguns estados. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a experiência traumática das chuvas de maio de 2024, impulsionadas por um El Niño, colocou a questão da adaptação e da resiliência climáticas no centro do debate público.
O Plano Rio Grande, criado pelo governo gaúcho com o apoio da União, vem atuando não apenas na reconstrução das cidades afetadas pelas chuvas de dois anos atrás, mas também na preparação do estado para novos episódios de clima extremo. Como as fortes chuvas que vêm atingindo o território gaúcho neste inverno.
Em São Paulo, a preocupação é com o fogo. As condições secas do inverno e do início da primavera devem se intensificar, facilitando a propagação de incêndios florestais e queimadas. Por isso, a Defesa Civil paulista vem realizando treinamentos desde abril com agentes municipais e produtores rurais para prevenir e combater incêndios.
No Norte, os estados da Amazônia estão apreensivos com a possibilidade de uma nova seca extrema, que pode reduzir a vazão dos rios e facilitar a propagação de incêndios. O Pará criou um programa estadual de combate às chamas com 140 brigadistas em 11 bases estratégicas. Já no Amazonas, o temor é com a baixa dos rios, já que a navegação fluvial é o principal canal de transporte de pessoas e mercadorias.
“Nossos rios vão estar mais secos e nós temos mais de 600 mil pessoas que vão ser afetadas”, observou o governador do AM, Roberto Cidade (União Brasil). Por isso, ele reforçou o pedido de apoio ao governo federal para lidar com os potenciais impactos do El Niño no estado, especialmente na saúde pública, informa o Valor.
Falando em saúde, como a Folha assinala, o governo federal prepara um investimento bilionário para expandir hospitais de campanha e equipes nos grandes centros urbanos. A ideia é ampliar sua estrutura para a “medicina de desastres”, ou seja, a resposta a catástrofes naturais e climáticas.
“O plano para aumentar a resiliência do sistema prevê a aplicação de R$ 9,8 bilhões até 2035”, afirmou Adriano Massuda, secretário-executivo do Ministério da Saúde. Segundo a pasta, a estrutura permitirá a montagem de hospitais de campanha em qualquer lugar do país em até 12 horas após uma tragédia.
“O El Niño afeta todos os setores. Não é mais só um fenômeno climático. É socioeconômico”, destacou José Marengo, coordenador de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), em entrevista ao Valor.
Para Marengo, a prevenção segue sendo a palavra de ordem para enfrentar o fenômeno. “Não basta liberar bilhões e achar que se combaterá o El Niño; a Natureza não se importa com dinheiro”, ressaltou.
Em tempo
Os impactos do El Niño no setor atacadista no Brasil devem ser salgados. Projeções do Innovation Capital Bank estimam que o segmento de distribuição pode sofrer um impacto da ordem de mais de R$ 2,4 bilhões, com queda na margem de lucro entre 2% e 8%. Os impactos incluem redução da produção agropecuária, aumento do custo da energia elétrica, dificuldades no escoamento logístico e, nos casos mais graves, rupturas no fornecimento, detalha o Correio Braziliense.
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