Assunta ao Céu em 1950. Artigo de Marco Rizzi

15 de agosto, Assunção de Maria ao Céu, Madonna Assunta

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14 Agosto 2026

"Diferente é o caso do dogma da Imaculada Conceição, proclamado por Pio IX em 1854, que está ligado à doutrina do pecado original (do qual a Virgem está isenta), assim como desenvolvida por Agostinho na Igreja Latina, e, por isso, não é particularmente relevante para a Ortodoxia."

O artigo é de Marco Rizzi, professor de literatura cristã antiga da Università Cattolica del Sacro Cuore, publicado em la Lettura, 09-08-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo. 

Assunta ao Céu em 1950

Quando o Papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção de Maria em 1º de novembro de 1950, ele o colocou solenemente sob a égide da infalibilidade do magistério papal, visto que conferia definição teológica a um aspecto da tradição cristã de origens antiquíssimas (celebrada em 15 de agosto).

De fato, remonta aos séculos IV ou V uma série de textos, conhecidos como apócrifos por não terem sido incluídos no Novo Testamento, que narram os acontecimentos envolvendo Maria e os apóstolos na sequência da narrativa dos Atos dos Apóstolos (estes, sim, incluídos no cânone). Nesses relatos, a mãe de Jesus encerra sua vida caindo em um sono profundo, antes de ser levada pelos anjos ao céu, onde é acolhida por seu Filho em Sua glória. Diferentes tradições situam esses eventos em Jerusalém, logo após a ressurreição de Cristo, ou, anos mais tarde, em Éfeso, para onde Maria teria viajado.

Para além dessas diferenças, a grande difusão desses escritos e o sucesso extraordinário da iconografia da Dormitio Virginis na arte cristã primitiva e bizantina atestam que isso refletia o sentimento presente na maioria dos fiéis.

Além disso, no Concílio de Éfeso (431), foi reconhecida à Virgem a condição de Theotokos, ou seja, "Mãe de Deus", e não simplesmente mãe do homem Jesus, ao passo que, no Segundo Concílio de Constantinopla (553), foi proclamada Aeiparthenos, "Sempre Virgem", ou seja, que permaneceu virgem durante e após o parto, e não apenas no momento da concepção (já objeto de fé com base nos Evangelhos de Mateus e, especialmente, de Lucas).

Trata-se de doutrinas desde sempre compartilhadas pelas igrejas Ortodoxas e por aquela Católica, que, com o dogma de 1950, buscou esclarecer alguns aspectos, em especial, a Assunção da Virgem, em corpo e alma.

Diferente é o caso do dogma da Imaculada Conceição, proclamado por Pio IX em 1854, que está ligado à doutrina do pecado original (do qual a Virgem está isenta), assim como desenvolvida por Agostinho na Igreja Latina, e, por isso, não é particularmente relevante para a Ortodoxia.

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