Cardeal Roche, prefeito do Culto Divino: "Não, o Papa Leão não vai mudar a Traditionis custodes, e não vai retornar ao Summorum Pontificum". Artigo de José Manuel Vidal

Foto: Cathopic

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31 Julho 2026

O Cardeal Arthur Roche frustrou as esperanças daqueles que, apesar de dois cismas, esperavam uma reversão das declarações de Leão XIV sobre a Missa Tridentina. Em entrevista ao The Tablet, o Prefeito do Dicastério para o Culto Divino afirmou categoricamente que o novo Papa não pretende reverter as restrições impostas por Francisco à liturgia tradicional: “Não, o Papa Leão não vai mudar a Traditionis Custodes, e não vai retornar ao Summorum Pontificum”.

A informação é publicada por Religión Digital, 30-07-2026.

A declaração direta e inequívoca confirma publicamente o que já se suspeitava em alguns círculos eclesiásticos: que Leão XIV, pelo menos por enquanto, não pretende alterar o quadro jurídico herdado de Francisco em relação à liturgia antiga. Roche, uma das figuras-chave do aparato litúrgico do Vaticano, apresenta-se assim como garante da continuidade em uma das questões mais delicadas e controversas do pontificado anterior.

A linha atual ainda está ativa

As palavras do cardeal inglês não são meramente um comentário sobre os acontecimentos atuais. Em sua essência, elas confirmam que a interpretação restritiva da Traditionis Custodes continua a moldar a política litúrgica de Roma. Roche tem sido um dos principais defensores dessa abordagem desde 2021 e, com esta entrevista, deixa claro que não espera mudanças substanciais sob o pontificado de Leão XIV.

A decisão do Papa Francisco de limitar a celebração da Missa segundo o Missal de 1962 não foi uma medida temporária, mas sim estrutural. E, de acordo com Roche, o novo Papa não planeja reverter essa decisão. Isso não significa que o debate esteja encerrado. Significa, sim, que o Vaticano quer evitar novas concessões a um setor que considera fonte de tensão e divisão.

The Tablet, fonte original

A informação foi divulgada inicialmente pelo The Tablet, o semanário católico britânico que publicou a entrevista com Roche e incluiu sua declaração principal sobre a continuidade das regulamentações atuais. A partir daí, diversos veículos de comunicação em língua espanhola enfatizaram o alcance de suas palavras e seu valor como mensagem dirigida tanto aos católicos tradicionais quanto aos bispos que aguardavam algum sinal de possível mudança.

Entretanto, a entrevista traz à tona uma questão que permaneceu sem resposta durante o pontificado de Leão XIV: até que ponto o novo Papa pretende ir em sua abordagem à diversidade litúrgica da Igreja? Por ora, a resposta da liderança da Congregação para o Culto Divino é inequívoca: não haverá retrocesso.

Ao lado de Francisco

Roche também recordou com emoção seu último encontro com Francisco, a quem viu um dia antes de sua morte. Ele contou que o Papa queria ir à Praça de São Pedro para saudar os fiéis, apesar da relutância inicial dos médicos, e que, de volta ao Vaticano, proferiu algumas palavras finais de enorme peso simbólico: "Obrigado por me trazerem ao povo".

Essa lembrança, segundo o cardeal, captura perfeitamente o estilo pastoral de Francisco até o fim: acessível, determinado a não se isolar e sempre comprometido em estar com o povo. Não se tratava de um detalhe menor, mas quase uma confissão final de seu pontificado.

Roche também aproveitou a entrevista para enfatizar sua preocupação com a mudança cultural em questões como aborto e eutanásia, e para reafirmar a relevância da Humanae Vitae e a necessidade de salvaguardar a dignidade da vida humana até o seu fim natural.

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