El Niño nunca esteve tão quente

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

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25 Julho 2026

Águas do Pacífico central já registram anomalia de +2,1°C, temperatura recorde para julho em 45 anos de registros.

A reportagem é de Priscila Pacheco, publicada por Observatório do Clima, 23-07-2026.

O atual El Niño está fazendo as águas do Pacífico central esquentarem cada vez mais rápido e com maior intensidade: em julho a temperatura já chegou a +2,1°C. Segundo avaliação da Berkeley Earth, divulgada nesta quinta-feira (23), em nenhum período anterior dos 45 anos de registros por satélite foram observadas temperaturas tão elevadas tão cedo, nem mesmo em outros episódios de super El Niño, como os de 1997-98 e 2015-16.

De acordo com o climatologista da organização Zeke Hausfather, em 1997, a anomalia era de +1,6°C e, em 2015, de +1,3°C nesta mesma época. “Esse registro precoce deve-se, em parte, ao aquecimento oceânico de base, já que o oceano, como um todo, aqueceu cerca de 0,5°C desde o ano 2000”, diz.

Os oceanos têm esquentado em razão das mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas. As temperaturas registradas pela Berkeley Earth reforçam as previsões de que o El Niño 2026-2027 será um “Super El Niño”.

Os cálculos apontam que o pico deve chegar perto de +3,6°C, cerca de 0,8°C acima da máxima anterior, registrada em 2015-16. Os 14 modelos analisados indicam uma probabilidade de cerca de 90% de esse El Niño estabelecer um novo recorde. Mesmo ao ajustar o aquecimento médio dos oceanos usando o índice oceânico relativo, 11 dos 14 modelos ainda apontam para um recorde, com probabilidade de aproximadamente 77%.

O pico de temperatura do fenômeno deve ocorrer em novembro ou dezembro. Hausfather explica que a temperatura média global da superfície apresenta um atraso de cerca de dois a cinco meses em relação à temperatura do Pacífico tropical. Assim, a maior parte do aquecimento durante o pico do El Niño deve se manifestar no ano que vem. “Isso faz de 2027 um forte candidato a estabelecer um novo recorde [de ano mais quente]”, diz.

O climatologista ressalta que os dados apresentados oferecem à sociedade uma rara oportunidade de agir com base em uma previsão quantificada e feita com antecedência para lidar com impactos como secas, ondas de calor e tempestades.

A Berkeley Earth também estima que há cerca de 67% de chance de 2026 terminar como o segundo ano mais quente já registrado.

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