18 Junho 2026
Perigo cresce quando combinado com pobreza, infraestrutura e energia precárias, pouca arborização e presença de crianças e idosos.
A informação é publicada por ClimaInfo, 17-06-2026.
Uma pesquisa realizada pela Universidade de Oxford e publicada na revista Sustainable Cities and Society avaliou a vulnerabilidade a ondas de calor de 205 cidades do mundo com mais de 1 milhão de habitantes. O estudo cita 11 cidades brasileiras, sendo Manaus a mais ameaçada, na 27ª posição global.
Encravada na Floresta Amazônica, Manaus é, em média, 1,74°C mais quente do que a região vegetada ao seu redor, chegando a registrar diferença de até 3°C nas temperaturas máximas anuais. Segundo outro estudo, publicado em 2021, houve 225 episódios de ondas de calor na capital amazonense de 1970 a 2019. Desse total, 88% ocorreram entre 2000 e 2019, indicando uma intensificação desses eventos nas últimas décadas, detalha o Vocativo.
Em relação ao estudo de Oxford, outras cidades brasileiras vulneráveis ao calor extremo são Goiânia, em 46º lugar; Belo Horizonte (66º); Fortaleza (67º); São Paulo (77º); Rio de Janeiro (83º); Brasília (88º); Recife (89º); Salvador (93º); Curitiba (119º); e Porto Alegre (120º), lista a Revista Fórum. Vale lembrar que há apenas 15 cidades no país com mais de 1 milhão de habitantes, que servem de referência populacional para o estudo.
No ranking global, a cidade mais ameaçada é Basra, no Iraque. Já na região de América Latina e Caribe, a cidade mais vulnerável é Barranquilla, na Colômbia, que figura na 11ª posição mundial. Manaus está em 3º lugar na região, à frente de Porto Príncipe, no Haiti, que ocupa a 19ª posição no ranking geral.
O levantamento avaliou não apenas a exposição às altas temperaturas, mas também sua combinação com outros fatores, como pobreza, infraestrutura e energia precárias, pouca arborização e presença de crianças e idosos. Fatores como custo de energia, capacidade de famílias comprarem ventiladores e condicionadores de ar e falta de estrutura hospitalar e habitacional também foram destacados pelo estudo, informa a Bloomberg Línea.
Para os pesquisadores, as soluções não podem se limitar a modelos do Norte Global. Na América Latina, é necessária a existência de alertas precoces, reforço das redes elétricas, expansão da arborização nas periferias e construções pensadas para se resfriarem naturalmente.
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