21 Julho 2026
"Àqueles que abrigam a tentação do desânimo em seus corações, dizemos: não deixem que a esperança lhes seja roubada. Ela não vem de as coisas darem certo, mas da certeza de que Deus entrou nas trevas do mundo e saiu vivo", escreve o Conselho Geral dos Missionários Combonianos, em carta publicada por Settimana News, 20-07-2026.
Eis a carta.
Caros irmãos e irmãs,
Escrevemos a vocês enquanto nosso mundo continua ferido por guerras, violência, crises alimentares devastadoras, perseguição, injustiça, instabilidade política, desastres naturais e migração forçada. Muitos de vocês vivem diariamente sob o peso do medo, da incerteza e do luto. Muitas crianças estão aprendendo a linguagem das armas cedo demais, em vez da linguagem da esperança.
Como missionários combonianos, não podemos observar esses sofrimentos de longe. Eles permeiam nossas orações, desafiam nossa consciência e moldam nossa missão. Onde um dos povos entre os quais vivemos sofre, toda a nossa família missionária sofre.
São Daniel Comboni compreendeu que a missão começa aos pés da Cruz. Não porque amasse o sofrimento, mas porque contemplava o Coração de Cristo, transpassado por amor ao mundo. Nesse Coração aberto, descobriu um Deus que salva não das alturas do seu poder, mas entrando na nossa fragilidade. Por isso, Comboni fez da sua vida uma única escolha: unir-se aos povos mais abandonados para os quais fora enviado.
Hoje, essa escolha continua. Unir-se aos menos afortunados significa chorar com os que choram, ter esperança com os que têm esperança, permanecer quando outros partem, partilhar o pão quando este é escasso e proteger a dignidade humana quando tudo parece tentar apagá-la. Significa acreditar que nenhum povo é esquecido por Deus e que nenhuma periferia está longe do Seu Coração.
Vocês, irmãos e irmãs que vivem em terras de provação, não são apenas receptores de nossa missão: vocês são mestres de nossa fé. Vocês nos ensinam que a esperança não é otimismo, mas uma decisão do coração. Ter esperança significa acender uma lâmpada quando a escuridão da noite parece prevalecer.
Tu nos ensinas que a fraternidade não é uma teoria: é compartilhar o pouco riso que nos resta com aqueles que vêm depois de nós; é continuar a chamar uns aos outros de irmãos e irmãs quando a guerra transformaria cada vizinho em inimigo; é acreditar no poder do Evangelho precisamente quando ele parece mais frágil.
Vemos o Cristo Ressuscitado em suas comunidades que continuam a rezar, nos catequistas que perseveram em seu serviço, nas mães que protegem a vida, nos jovens que rejeitam o ódio e nos idosos que continuam a abençoar. Esta é a Páscoa que cresce silenciosamente na história!
A violência tenta nos convencer de que a morte tem a palavra final. Nós acreditamos no contrário: a palavra final pertence ao Deus da vida. É por isso que a Igreja continua sendo profecia, e cada discípulo é chamado a defender a dignidade do próximo, construindo pontes onde outros erguem muros, educando, cuidando, orando e perdoando.
Nossos missionários, homens e mulheres, também compartilham essa jornada. Eles não são heróis, mas irmãos e irmãs que escolheram, junto com vocês, viver essa história porque o próprio Deus continua a vivê-la. A presença deles não elimina a dor, mas a torna menos solitária.
Àqueles que abrigam a tentação do desânimo em seus corações, dizemos: não deixem que a esperança lhes seja roubada. Ela não vem de as coisas darem certo, mas da certeza de que Deus entrou nas trevas do mundo e saiu vivo.
Cada vez que você escolhe a reconciliação em vez da vingança, cada vez que você protege uma vida frágil, cada vez que você compartilha o pão e ora por aqueles que o perseguem, Cristo continua a ressuscitar.
Como missionários combonianos, desejamos renovar diante de vocês o nosso "sim": sim ao Evangelho, sim aos povos esquecidos, sim à justiça, à paz construída com paciência, à dignidade de cada pessoa e à missão vivida como vida em comunidade. Continuaremos a dar voz àqueles que são frequentemente ignorados, a denunciar o que fere a dignidade dos povos e a proclamar que nenhum poder, nenhuma arma e nenhum interesse econômico podem extinguir o sonho de Deus para a humanidade.
O Coração de Jesus, aberto na Cruz, continua a derramar misericórdia sobre o mundo hoje. Entremos também nesse Coração e aprendamos a ver cada pessoa como um irmão ou irmã, e cada povo como uma família.
Que Maria, Mãe da Esperança, caminhe ao lado de suas famílias. E que São Daniel Comboni nos conceda a coragem de permanecermos fiéis até o fim, com corações abertos, mãos trabalhadoras e o olhar fixo no Reino que já cresce — muitas vezes oculto — em meio às feridas da história.
Levamos todos vocês em nossos corações. Todos os dias. Cada vez que celebramos a Eucaristia. Cada vez que pronunciamos o nome de Jesus.
Com afeto fraternal.
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