14 Julho 2026
A Casa Branca informou o Congresso sobre a retomada das hostilidades. "Monitoraremos o Estreito e serão cobradas taxas para a passagem de navios." Como no Dia da Marmota, a cada manhã a guerra no Irã parece voltar à estaca zero.
A reportagem é de Paolo Mastrolilli, publicada por La Repubblica, 14-07-2026.
O presidente Trump informou o Congresso sobre a retomada das operações militares, na realidade para que ele possa continuar atacando sem autorização parlamentar; anunciou novos bombardeios entre ontem à noite e hoje (Bandar Abbas, Kish e Qeshm já haviam sido atingidas ontem à noite); alertou que atacará o complexo nuclear de Pickaxe Mountain, perto de Natanz. Reimpôs o bloqueio a embarcações indesejadas que passam pelo Estreito de Ormuz e ameaçou mantê-lo aberto à força para embarcações amigas, exigindo um imposto de 20% sobre o valor das mercadorias transportadas. Em seguida, anunciou que fará um pronunciamento à nação na noite de quinta-feira. Teerã primeiro se manifestou, ameaçando retaliar em toda a região, mas depois optou por provocar o líder da Casa Branca, zombando dele. O cessar-fogo certamente não está mais em vigor, enquanto as negociações que, segundo o memorando de entendimento, deveriam resolver o conflito em 60 dias, agora são apenas uma vaga lembrança.
Após dias de bombardeios, desencadeados por diferentes interpretações das regras de passagem pelo Estreito de Ormuz, o presidente elevou a tensão com esta mensagem publicada ontem de manhã em suas redes sociais: "O Estreito está aberto e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio naval, que impede exclusivamente a entrada ou saída de navios ou clientes iranianos. Todos os outros países poderão usar o Estreito de forma igualitária e livre."
Ele não explicou como, mas uma grande intervenção militar seria necessária, pois escoltar petroleiros não pode ser feito apenas por via aérea. Isso fica claro na declaração posterior de Trump: "Os Estados Unidos serão conhecidos, daqui em diante, como guardiões do Estreito de Ormuz. Nessa qualidade, e por razões de equidade, serão reembolsados em 20% do valor de cada carga transportada para cobrir os custos necessários para garantir a segurança." Isso significa que navios aliados também terão que pagar, para serem reembolsados pelo serviço prestado. Segundo a ONU, não há justificativa legítima para a cobrança, mas o Pentágono confirmou que o bloqueio naval será retomado às 22h desta noite.
Ebrahim Zolfaqari, porta-voz militar iraniano, respondeu: "Não permitiremos que os EUA intervenham na gestão do Estreito de Ormuz. As Forças Armadas iranianas reagirão firmemente a qualquer ação que cause desordem ou comprometa a segurança da passagem naval." Ele então advertiu: "Enviamos um aviso aos líderes dos países da região: qualquer colaboração com os EUA será considerada um ato de guerra. Se o conflito se alastrar pela região, as chamas atingirão todos os países da área." O porta-voz da Guarda Revolucionária Iraniana (Pasdaran), Hossein Mohebi, acrescentou: "Continuaremos a exercer com firmeza nossa soberania e controle sobre o Estreito de Ormuz e forçaremos estrangeiros e seus aliados a se submeterem à vontade do povo iraniano." O Ministro das Relações Exteriores, Araghchi, por sua vez, optou pela ironia: "O presidente dos EUA está certo. Qualquer um que garanta a passagem segura de navios pelo Estreito deve ser compensado. 20% é demais. Seremos justos."
Em carta enviada ao Congresso na sexta-feira, Trump anunciou que os ataques contra o Irã foram retomados em 7 de julho. Ele o fez de acordo com a Lei de Poderes de Guerra, que lhe permite continuá-los sem autorização do Congresso: "Forças terrestres americanas", escreveu ele, "não estão envolvidas". Resta saber se isso marca o início de uma nova escalada ou uma tentativa de forçar o Irã a aceitar seus termos de paz.
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