Teólogo: sinodalidade e democracia não são mutuamente exclusivas

Foto: IMAGO/GODONG/Katholisch

Mais Lidos

  • Toda voz universal é divina ou totalitária. Entrevista com Adriana Cavarero

    LER MAIS
  • Médico defende cuidados paliativos no fim da vida e amenização total da dor em pacientes terminais. “O alívio deve ser na dor total: física, espiritual e emocional”, diz

    Cuidados paliativos: 86% das pessoas que precisam de auxílio no fim da vida são abandonadas. Entrevista especial com Angelo Atalla

    LER MAIS
  • Quando a revolta pensa a política: por que Foucault permanece indispensável cem anos depois? Artigo de Márcia Rosane Junges

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

09 Julho 2026

O teólogo e dominicano Ulrich Engel não vê nenhuma contradição fundamental entre sinodalidade e democracia na vida da Igreja. "Tenho dúvidas: a democracia se limita realmente à forma, enquanto a sinodalidade se concentra no conteúdo (relacionado à fé)?", escreve Engel em artigo para a revista teológica feinschwarz.net. "Podem os processos de tomada de decisão sinodais ser justificados pneumatologicamente, enquanto a tomada de decisão democrática simplesmente segue o poder de fato de qualquer maioria dada?"

A informação é publicada por Katholisch, 08-07-2026.

O ponto de partida para suas reflexões é o discurso de Natal do Papa Francisco (2013-2025) aos membros da Cúria Romana em 2020. Nele, o Papa alertou contra a compreensão de uma Igreja sinodal como "qualquer assembleia democrática" modelada segundo um parlamento. A diferença, segundo Francisco, reside na obra do Espírito Santo.

Ética formal

Engel enfatiza que a democracia é entendida aqui puramente de forma formal e reduzida a um mero procedimento para a formação de uma maioria. No entanto, ele também destaca que existe um "ethos formal da democracia". O teólogo se baseia nas reflexões do antigo bispo de Mainz e cardeal Karl Lehmann (1936-2017). Já em 1971, Lehmann enfatizou que existe também uma segunda dimensão, ética, no conceito de democracia. Essa dimensão é caracterizada por valores como a dignidade humana, a liberdade, a solidariedade e a convivência cooperativa, que, como Lehmann afirmou na época, "foram iniciados por ideais cristãos".

Dessa perspectiva, a democracia se "qualifica como uma forma de governo e um modo de vida", enfatiza Engel. Ela "torna-se um estilo de convivência que deve ser demonstrado e comprovado não apenas na sociedade, mas também dentro da Igreja: por exemplo, em uma interação verdadeiramente livre entre os membros ou em levar a sério a fé de todos os crentes".

Segundo Engels, a Ordem Dominicana demonstra que um modo de vida democrático e a vida eclesial são compatíveis. Há mais de 800 anos, os cargos de liderança dentro da ordem são eletivos e as decisões importantes são tomadas coletivamente. A constituição democrática da ordem serve não apenas a propósitos organizacionais, mas também é uma expressão de sua espiritualidade e missão compartilhada. Engels é professor de questões filosóficas e teológicas de fronteira na Universidade de Ciências Aplicadas CTS de Münster e trabalha no campus de Teologia e Espiritualidade em Berlim.

Leia mais