O Concílio divide os lefebvrianos. Artigo de Luigi Sandri

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08 Julho 2026

 

Uma diferente compreensão do Concílio Vaticano II está no cerne do conflito que divide o Papado dos seguidores do falecido Arcebispo Marcel Lefebvre que, apesar das censuras de Roma, continuam a consagrar bispos na Suíça sem o consentimento da Santa Sé Ações que levam a Santa Sé a excomungar os quatro prelados recém-consagrados, seus consagradores e, caso não se arrependam, seus seguidores.

O comentário é de Luigi Sandri, publicado por L'Adige, 06-07-2026. A tradução é de Luisa Rabolini

Para compreender a situação, é preciso voltar ao próprio Concílio que, entre 1963 e 1965, aprovou documentos que iniciavam reformas profundas na Igreja Romana. Alguns exemplos: antes, a Igreja se considerava “a” Igreja; depois, a visão passou a ser a de que ela "subsiste" na Igreja Romana, mão não se pode excluir que exista também em outras realidades; antes, recorria-se normalmente a condenações, depois a abordagem mudou para o diálogo paciente; antes, a Missa no Ocidente (de Washington a Berlim) era celebrada em latim, depois passou a ser rezada nas línguas de cada povo.

Em carta a Leão XIV, o Padre Davide Pagliarani, o Superior Geral da "Fraternidade Sacerdotal de São Pio X” afirma que sua comunidade busca corrigir os "erros" contra a tradição cometidos pelo magistério católico durante o Concílio e no período subsequente; contudo, o contra-argumento de Roma é que a tradição não é um museu, mas um organismo vivo que evolui tentando permanecer fiel à mensagem de Jesus.

Por exemplo, muitas línguas eram faladas na Igreja primitiva; depois, na liturgia ocidental, o latim tornou-se dominante. Mas, se as pessoas já não o compreendem mais, será realmente vontade de Deus que seja mantido? A "Fraternidade Sacerdotal de São Pio X", afirma Roma, está presa a uma série de contradições insustentáveis; em essência, ela se opõe à modernidade. No entanto, como se viu em 1º de julho em Écône (no cantão de Valais) durante as ordenações às quais Leão XIV havia se oposto, estavam presentes figuras políticas europeias de extrema-direita.

Pode um pontífice endossar uma postura "defensiva" que entra em contradição direta com o Concílio Vaticano II? Além disso, há todos os motivos para acreditar que, se em algumas décadas os papas - ou um Concílio – viessem a admitir mulheres em todos os ministérios ordenados, aqueles que se opõem a tal hipótese se dirigiriam em massa para a Fraternidade.

Esse é um perigo que não existe atualmente, porque a admissão de mulheres ao sacerdócio está fora do horizonte de Robert Francis Prevost, que, eventualmente e apenas num futuro distante, consideraria talvez a ordenação de diaconisas. E, por determinação dele, um dicastério da Cúria Romana havia estritamente proibido, há três semanas, que o episcopado alemão admitisse que leigos e leigas pregassem durante a Missa, uma prática comum há anos tanto ao norte dos Alpes quanto em países da América Latina. Na Alemanha, a proposta havia sido sugerida pelo Synodaler Weg (Caminho Sinodal), que dedicou mais de mil dias para propor reformas verdadeiras para a Igreja.

Contudo, o Papa disse "não" tanto àqueles que considera progressistas demais quanto àqueles que - os lefebvrianos – ele considera excessivamente "retrógrados". Mas o tempo passa, e a rejeição sistemática de reformas ousadas poderia levar ao esvaziamento das igrejas - pelo menos no Norte do planeta. A Fraternidade de São Pio X é uma questão menor diante do peso da Igreja alemã, que - como a história ensina – nunca deve ser ignorada.

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