20 Junho 2026
Principais afetados foram idosos, mulheres, crianças e pessoas com menos escolaridade, o que prova a correlação com fatores sociais.
A reportagem é de ClimaInfo, 19-06-2026.
Feito pela primeira vez em escala nacional, um estudo, feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade Federal da Bahia (UFBA), analisou dados sobre ondas de calor e internações e mortes no SUS entre 2000 e 2019. E constatou que as altas temperaturas mataram 120 mil brasileiros nesse período.
Foram revisados dados de mortalidade por doenças do aparelho circulatório e cardiovascular ocorridas no SUS em 5.566 municípios. A partir deles, a pesquisa verificou que os principais afetados foram idosos, mulheres, crianças e pessoas com menos escolaridade – o que indica a importância de fatores sociais no impacto do calor, destaca o Estadão.
Segundo o estudo, os efeitos das altas temperaturas nem sempre aparecem de imediato. Em muitos casos, o calor agrava quadros de doenças pré-existentes, informam g1 e CNN Brasil. O estresse térmico pode sobrecarregar funções cardiorrespiratórias, contribuindo para inflamações e agravando doenças, além de afetar o trato urinário por meio da desidratação, da hipovolemia (redução do volume total de sangue e líquidos no corpo) e da disfunção renal.
Em crianças, o efeito mais comum em todas as regiões do país foi a ocorrência de diarréias. Já a população idosa apresentou alta sensibilidade a problemas respiratórios, renais e metabólicos (diabetes).
Uma maior taxa de mortalidade por ondas de calor também é associada a pessoas com menor escolaridade. A escolaridade foi empregada como um proxy da posição socioeconômica, por refletir diferenças no acesso a recursos materiais, oportunidades e condições de vida ao longo do curso de vida, explica a pesquisa.
“O grupo com menor escolaridade tem menor condição de se adaptar. Isso implica, por exemplo, a residência onde mora, ter ou não ar-condicionado, a questão de se deslocar e permanecer muito mais tempo exposto a essas condições. Também residir em locais com dificuldade de acesso à saúde”, explica Beatriz Oliveira, pesquisadora em saúde pública da Fiocruz, na Folha.
Apesar da maior parte dos municípios ter registrado aumento na frequência e na intensidade das ondas de calor no período estudado, a exposição a elas não foi homogênea. Os eventos foram mais frequentes, longos e persistentes nas regiões Norte e Centro-Oeste, porém com maior intensidade – ou seja, com maior diferença em relação à temperatura média local – no Sul e Sudeste, informa O Globo.
Os autores da pesquisa recomendam a implementação de sistemas de monitoramento e de alerta antecipado, orientação à população e o fortalecimento da resposta do SUS frente a eventos climáticos extremos. Eles também pedem que as informações climáticas sejam incorporadas nos processos de vigilância epidemiológica e ambiental de forma sistemática.
São medidas mais do que necessárias. Afinal, outra pesquisa, da Universidade de Oxford, avaliou a vulnerabilidade a ondas de calor de 205 cidades do mundo com mais de 1 milhão de habitantes. Dos 15 municípios brasileiros com mais de 1 milhão de moradores, 11 estão no ranking.
O Tempo, Jornal GGN e Sul 21 também repercutiram o estudo.
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