18 Junho 2026
A viagem à Espanha destacou a natureza missionária do pontificado, que parecia buscar viajar para proclamar o Evangelho com convicção. Com um risco "romano".
O artigo é de José Luis Ferrando, teólogo, filósofo e escritor espanhol, publicado por Religión Digital e reproduzido por Vino Nuovo, 17-06-2026. A tradução é de Lorenzo Tommaselli.
Eis o artigo.
Após a longa viagem do Papa Leão XIV à Espanha, é hora de tirar algumas conclusões com calma e prudência. É evidente que o Papa se sente à vontade entre as pessoas e que seu aparente distanciamento diminuiu gradualmente, pelo menos pelo que observamos durante esta viagem. Isso demonstra que ele se sente confiante o suficiente não apenas para "elevar o olhar", como nos foi constantemente lembrado, mas também para elevar a voz quando quis enfatizar ou reforçar suas mensagens. Durante esta viagem, ele certamente se colocou à prova, visto que teve uma agenda pública e privada absolutamente extraordinária.
Após acompanhar seu itinerário nestes últimos dias, surge uma dedução ou intuição. Leão XIV parece estar plenamente consciente de que, enquanto seu corpo permitir – e aparentemente ele se cuida praticando esportes – viajará pelos cinco continentes. Evidentemente não para turismo espiritual, mas para seguir as palavras de Paulo na Primeira Carta aos Coríntios (1 Coríntios 9,16: "Ai de mim se eu não pregar o Evangelho!"). Para Paulo, proclamar o Evangelho não é motivo de orgulho pessoal, mas uma responsabilidade que ele sente como um chamado de Deus. E também aquelas outras palavras do mesmo Paulo na Segunda Carta a Timóteo (2 Timóteo 4,2: "Prega a palavra, insurge a tempo e fora de tempo"). No sentido de que proclamar Cristo não deve ser feito apenas quando as circunstâncias são favoráveis ou convenientes, mas é preciso permanecer fiel à sua missão em todas as situações. Poderíamos parafrasear, sem distorcer: "em todo lugar". Portanto, essa fidelidade à missão, evidente em sua história pessoal, certamente o levará a percorrer milhares de quilômetros para proclamar Jesus Cristo. Ele provavelmente compreende que sua missão não é apenas pregar o Evangelho em Roma e a partir dela, mas também exercer este necessário ministério universal. No momento crucial que a Igreja Católica atravessa, marcado por muitas tensões, mas também rico em esperança, as palavras do Papa podem ser um importante bálsamo. Contudo, o risco permanece o mesmo, resumido naquelas palavras duras, mas muitas vezes verdadeiras: "Se eu vos vi, não me lembro de vós". Isso não seria desejável durante esta visita papal ao nosso país. Acompanharemos de perto as ações da Conferência Episcopal Espanhola. Esperamos que não estejam simplesmente buscando privilégios ou vantagens à sombra do Papa, após a proeminência de que os bispos têm desfrutado.
Contudo, esta vocação missionária do Papa Leão XIV, profundamente enraizada em sua personalidade e história, tem um precedente negativo que deve ser evitado. Papas itinerantes não podem negligenciar a Cúria Romana, pois isso poderia ser perigoso. Portanto, o Papa deve controlar a retaguarda e confiar esta instituição a pessoas em quem confia plenamente, que possam supervisioná-la e controlá-la com autoridade. A tendência da Cúria, sob papas fracos ou ausentes, tem sido a de adquirir autonomia excessiva em todas as áreas; portanto, ela precisa ser guiada de maneira muito particular. Vimos isso nos tempos de João Paulo II e Bento XVI; seria uma pena se a bela e necessária obra de evangelização de Leão XIV fosse frustrada pelos "lobos" que rondam o Vaticano.
Dito isso, o que importa é que, na atual conjuntura eclesial, a voz do Papa ressoa com vigor, proclamando que a Igreja está viva e continua a proclamar, com força e esperança, a mensagem de Cristo ressuscitado. O mundo precisa de um líder moral que proclame em alto e bom som, como Leão XIV fez na Espanha, que o homem — cada homem — é o grande amor e o plano de Deus. Sem dúvida, Leão XIV se dedicará inteiramente a essa tarefa.
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