O Papa, dirigindo-se a uma criança do bairro do Raval prestes a ser despejada: “Não é fácil responder por que coisas ruins acontecem a algumas pessoas”

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11 Junho 2026

Na paróquia de Sant Agustí, Leão XIV teve que responder às perguntas de Renzo, que fez questões profundas como se devemos sempre perdoar ou por que seus pais sofrem tanto.

A reportagem é de Jesús Bastante e Sandra Vicente, publicada por Religión Digital e reproduzida por El Diario, 10-06-2026.

Se o Papa queria se encontrar com minorias, não havia lugar melhor do que a Igreja de Sant Agustí, em El Raval, onde uma dose de realidade o aguardava. O Pontífice recebeu representantes de diversas associações e grupos sociais que trabalham com pessoas que lutam contra o vício ou com mulheres vítimas do tráfico humano. Mas uma das vozes mais comentadas foi a de Renzo, um menino de 6 anos de uma família de baixa renda, que enviou uma mensagem em vídeo para Leão XIV, colocando-o na difícil posição de ter que se esforçar para responder às suas perguntas.

O menino estrelou um vídeo mostrando sua família — sua mãe e avó — preocupadas com a situação da moradia e explicando que, devido a problemas com os pagamentos, corriam o risco de serem despejadas. Em resposta a essa situação, o vídeo mostra Renzo escrevendo uma carta ao Papa, que ele teve a oportunidade de ler pessoalmente para ele durante sua visita à paróquia de Sant Agustí.

O menino começou fazendo perguntas inocentes, como se ele queria ser Papa quando criança. “Acho que não. Acho que nunca pensei nisso, mas posso te dizer uma coisa: quando eu era pequeno, sentia o desejo de dedicar minha vida a Deus”, respondeu ele em catalão. Mas logo colocou o Papa em uma situação delicada, questionando-o sobre assuntos mais profundos, como se devemos sempre perdoar, por que existem tantos moradores de rua e por que seus pais sofrem tanto.

A conversa entre Leão XIV e Renzo abordou temas corriqueiros como a Copa do Mundo, que começa nesta quinta-feira (“Quem não sabe passar a bola, mesmo tendo talento, não entendeu o jogo”), mas também mergulhou em questões mais profundas. O jovem chegou a perguntar por que coisas boas acontecem com algumas pessoas e não com outras. “Não é fácil encontrar uma resposta para a sua pergunta”, admitiu.

“O Senhor andou por aí fazendo o bem, e ainda assim sabemos que foi crucificado”, recordou o Papa, referindo-se à ressurreição para reforçar a ideia de que “Deus, mesmo havendo sofrimento, nunca abandona nenhum dos seus filhos porque preparou para nós uma alegria eterna”, afirmou.

O Papa Francisco também aproveitou a oportunidade para defender o combate à solidão entre os idosos, que “nunca devem ser deixados sozinhos”, afirmou em resposta a perguntas sobre avós. Ele recomendou “cuidar e acompanhar nossos idosos na velhice, assim como eles, em seu tempo, cuidaram de nós. Não permitamos que a solidão e o abandono se tornem a norma na vida dos idosos”.

O pequeno Renzo também compartilhou suas preocupações sobre se o perdão deve ser sempre concedido. Prevost respondeu que sim, mas com consciência. “Perdoar não significa dizer que o que foi errado estava certo, nem significa deixar alguém continuar a ferir os outros. Não significa se forçar a esquecer, como se nada tivesse acontecido. Perdoar significa não deixar o ódio tomar conta do seu coração.”

A partir daí, Leão XIV fez um apelo aos fiéis para que “cooperem em benefício do próximo”, sabendo que “em cada irmão e irmã que sofre, é o próprio Senhor quem pede e recebe, quem é acolhido ou rejeitado, amado ou desprezado”. Ele elogiou, assim, o trabalho realizado pela comunidade agostiniana de Raval com “os mais necessitados, especialmente nestes tempos em que parece ter-se perdido o sentido da sagrada dignidade do ser humano”.

De fato, atrás da igreja paroquial estão as Missionárias da Caridade de Madre Teresa de Calcutá, dedicadas a servir os moradores mais pobres do Raval, o bairro com o maior índice de pobreza em Barcelona. Essas freiras distribuem entre 400 e 500 refeições diariamente para pessoas pobres e sem-teto.

Uma tarefa semelhante à realizada pela comunidade filipina no bairro. Eles não são apenas a maior nacionalidade no Raval, mas também um grupo muito religioso. Tanto que, há 25 anos, conseguiram estabelecer sua própria paróquia em Sant Agustí (comunidades criadas e aprovadas pela Santa Sé para atender às necessidades específicas de certas famílias católicas).

Este grupo não só organiza diversas missas em tagalo para servir seus fiéis em seu próprio idioma, como também atua como uma comunidade muito unida, dedicada a atender às necessidades de vários grupos carentes na vizinhança, dinamizando bancos de empregos e cozinhas comunitárias.

Os filipinos de Barcelona cuidam da paróquia há anos e a preparam para a chegada do Papa há meses. Apesar disso, a maioria dos membros da comunidade teve que acompanhar o discurso do Papa do lado de fora. Das 600 pessoas presentes no evento nesta paróquia no bairro do Raval, apenas duas pertencem à comunidade filipina, responsável pela administração do oratório.

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