Chamado pelo nome e "por compaixão". Comentário de Stefano Fenaroli

Foto: GI/Canva

16 Junho 2026

O retorno ao tempo normal começa imediatamente com o sentimento mais genuíno de Deus, compaixão e o chamado para que todos no mundo sejam seus discípulos.

O comentário é de Stefano Fenaroli, doutor em teologia, sobre o o 11° domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico, publicado por Vino Nuovo, 13-06-2026.

Eis o comentário.

Uma festa comum?

Neste domingo, retomamos o chamado Tempo Comum. Deixamos para trás a euforia da solenidade, que nos acompanhou desde o Domingo de Páscoa, e voltamos a celebrar "simplesmente" o domingo. O termo é propositadamente provocativo. É útil lembrar, aliás, que a definição de "tempo comum" não significa um tempo "normal, previsível ou banal". Do latim ordinalis, durante este tempo, os domingos são simplesmente contados, seguindo progressivamente os números ordinais. Poderíamos, portanto, falar de um tempo ordenado, em vez de um tempo comum, para não esquecermos que, em si mesmo, o domingo é sempre um dia extraordinário, como uma festa, como o Dia do Senhor. Uma observação banal, talvez, mas que certamente não custa reiterar, para que não caiamos no equívoco de que certos domingos, certas pausas, certas celebrações são menos importantes do que outros.

A origem da missão

Ao ler o início do Evangelho deste domingo, lembrei-me imediatamente de um artigo que escrevi para o Vino Nuovo há cinco anos, que, se analisarmos com atenção, ainda poderia ser válido hoje, sobre a "compaixão" que Jesus sente ao ver as multidões à sua frente, como ovelhas sem pastor. É interessante, porém, como nessa história (na versão de Marcos) a referência à compaixão é seguida pela multiplicação dos pães e peixes. Neste caso, contudo, a compaixão não parece ser seguida por nenhuma reação da parte de Jesus, além do chamado dos Doze. Este, então, é o aspecto interessante. Com o Evangelho de hoje, inicia-se o que se chama de "discurso missionário" de Jesus — que continuaremos nos próximos dois domingos — e começa precisamente com essa referência à compaixão. Por quê? Talvez, penso eu, porque este seja precisamente o significado último da própria missão. Os Doze são chamados e enviados no espírito da compaixão de Jesus, para que possam proclamar o Reino em palavras e ações (como diria Dei Verbum). Os milagres que os apóstolos podem realizar, e que são listados, não são aleatórios, mas sinais claros da presença de Deus, Daquele que vence a doença, a morte (física e social, como a lepra) e o próprio mal (simbolizado por demônios). Em sua jornada, os Doze carregam a própria presença do Deus de Jesus, Aquele que, desde o Antigo Testamento, como nos ensinam os exegetas, sente compaixão por seus filhos e filhas.

Uma “igreja” pelo nome

Esta missão, este envio, porém, não deve ser encarado como uma tarefa que um "superior" delega aos seus "empregados". A missão, neste sentido, não é uma expedição, mas um verdadeiro chamado ao encontro. Porque essa compaixão da qual tudo começa é a própria compaixão dos apóstolos, que estão com Jesus e são chamados por ele. Como podemos afirmar isso? Porque aqueles que são enviados às multidões não são, eles próprios, uma multidão. Eles têm nomes, famílias de origem e características muito específicas. São singularidades chamadas por nome. É evidente que por trás desse "chamados a si" está o termo grego do qual deriva a palavra "igreja". A comunidade de cristãos, daqueles "chamados a si" por Jesus, é composta de indivíduos, de rostos, de pessoas únicas e irrepetíveis. Os que não têm rosto, poderíamos dizer, são os receptores da mensagem, porque o dom é gratuito, mas não os que são enviados. Nossa relação com Jesus, ainda hoje, nos dá um nome, e é precisamente essa relação que nos chama a trazer para nossas vidas, para nossos rostos, o próprio rosto compassivo de Jesus e de seu Deus.

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