Cardeal Zuppi: “As finanças são perigosas quando são mera especulação”. Artigo de Luca Kocci

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11 Junho 2026

O presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI) apresentou na Bolsa de Milão o "catecismo financeiro" da Igreja italiana.

"O fato é que a própria CEI tem todas as suas contas nos principais 'bancos armados' (UnicreditBNLIntesa San PaoloBPM e MPS), exceto uma no Banca Etica. Talvez as novas diretrizes possam ajudar a Igreja italiana a resolver essa contradição!", escreve Luca Kocci, jornalista, em artigo publicado por il manifesto, 10-06-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Partindo do pressuposto de que a gestão do dinheiro “não é um ato neutro”, o Cardeal Zuppi apresentou ontem na Bolsa de Milão — o templo laico do capitalismo italiano —as novas diretrizes da CEI sobre investimentos éticos e sustentáveis.

Aprovado pelo Conselho Episcopal Permanente (órgão executivo dos bispos) em março e publicado em maio, o novo "catecismo financeiro" da Igreja italiana reitera as proibições históricas indicadas na doutrina: "Não investir" em empresas que apoiam aborto, contracepção, eutanásia e pesquisa com células-tronco, com exceção das células-tronco adultas. Mas introduz novos critérios à luz de um mundo em mudança: da difusão das criptomoedas ao retorno da guerra. O "princípio moral de referência" é a "destinação universal dos bens", um pilar da doutrina social da Igreja: ele tem prioridade sobre o "direito à propriedade privada", que "só pode ser considerado um direito natural secundário" (copyright Bergoglio).

"A Igreja reconhece o papel positivo que as finanças podem desempenhar na promoção de uma economia justa e solidária, desde que ela seja motivada por um desejo genuíno de contribuir para o bem comum", afirmam as diretrizes. Os investimentos "devem corresponder a uma visão ética; uma lógica especulativa e puramente financeira facilmente descamba para o descontrole" e "torna-se perigosa", acrescentou Zuppi.

As declarações de princípio são acompanhadas por uma lista de sugestões e exclusões que constituem a novidade do documento. A CEI convida a priorizar as empresas que apoiam "políticas salariais justas", que "assumem a responsabilidade pelas condições de trabalho em seus próprios ambientes e nas empresas terceirizadas", que garantam a igualdade de gênero e um "salário mínimo". Também defende empresas comprometidas com a redução de consumos e emissões de poluentes, que "desenvolvem e promovem o uso de fontes renováveis" e que reduzem o uso de combustíveis fósseis.

Não a investimentos em "países que aplicam a pena de morte" — portanto, também os EUA e Israel estão na lista negra da CEI — e aqueles governados por "regimes totalitários" e "ditaduras militares". A CEI também condena os gastos militares e os planos de rearmamento, rejeitando, assim, as empresas envolvidas na produção e no comércio de armas. “Entidades religiosas ou quaisquer investidores deveriam abster-se de investir direta ou indiretamente em empresas que atuam na produção de armas convencionais ou não convencionais”, esclarecem as diretrizes, admitindo exceções apenas para “casos específicos e limitados a finalidades de defesa, com base no princípio da responsabilidade”, e para as forças da ordem. A crítica também é dirigida para os “bancos armados” que apoiam a exportação de armas. Que alguns bancos invistam em armamentos “por uma lógica financeira, eu entendo, mas por uma lógica ética não, é inaceitável”, é o comentário de Zuppi.

Expressou-se satisfação pela campanha de pressão contra os “bancos armados”: o documento “oferece critérios claros e precisos para uma gestão financeira transparente e responsável, a fim de promover um modelo econômico que não gere exclusão, mas que favoreça a participação, a solidariedade, o desenvolvimento sustentável e a paz”. Esperamos que se torne “um tema de reflexão e aprofundamento para dioceses, paróquias, entidades e comunidades religiosas”.

Resta o fato é que a própria CEI tem todas as suas contas nos principais "bancos armados" (Unicredit, BNL, Intesa San Paolo, BPM e MPS), exceto uma no Banca Etica. Talvez as novas diretrizes possam ajudar a Igreja italiana a resolver essa contradição!

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