As entidades ligadas à Igreja também enriquecem os "bancos armados"

Foto: Reprodução | La Regione

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02 Mai 2022



Um católico que quisesse responder ao apelo da Conferência Episcopal Italiana - CEI e da Cáritas e fazer uma doação de apoio à população ucraniana sob as bombas, depositaria sua contribuição em um "banco armado", ou seja, Unicredit ou Intesa San Paolo. O mesmo aconteceria com um fiel valdense, batista, metodista ou luterano, já que também a "subscrição ucraniana" promovida pela Federação das Igrejas Evangélicas da Itália fica a cargo do Unicredit.

 

A reportagem é de Luca Kocci, publicada por il manifesto, 30-04-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

De fato, os dois institutos estão no topo do ranking dos bancos que prestam seus serviços às indústrias de armas italianas: o Unicredit está em primeiro lugar, tendo movimentado quase dois bilhões e 400 milhões de euros em 2021, metade de todo o volume de exportações de armas made in Italy. Segue o Intesa San Paolo, com 968 milhões.

Contradições de um processo em que entidades e organizações - neste caso ligados às Igrejas -, ainda que com a intenção de agir para o bem, alimentam um sistema em que bombas, canhões e bancos são vasos comunicantes. Talvez para arrancar melhores condições contratuais ou conseguir algum zero vírgula de lucro a mais.

Nomes e números são conhecidos há poucos dias (mas o grupo de "bancos armados" está estável há anos). No início de abril, foi enviado ao Parlamento o Relatório do Governo sobre a importação-exportação de armas em 2021, que indica também as operações bancárias das empresas de armamento e a lista de instituições de crédito que movimentam, antecipam e recebem dinheiro da venda de armas, recebendo juros e comissões. Entre os dez maiores "bancos armados", atrás do Unicredit e do Intesa San Paolo, estão o Deutsche Bank, que registrou exportações definitivas de quase 737 milhões, e o Banca Popolare di Sondrio, com 154 milhões. Seguem duas instituições estrangeiras: Barclays (139 milhões) e Commerzbank (116 milhões). Por fim, Bper (96 milhões), Europe Arab Bank (59 milhões), Banco Bpm (52 milhões) e Banca Valsabbina (35 milhões). A lista completa inclui também a Poste Italiane, embora com um valor mínimo: 41 mil euros.

Se estes são os "bancos armados", na galáxia das instituições católicas bem poucos se salvam.

A CEI recebe doações e ofertas dedutíveis para o sustento do clero através de sete contas bancárias diferentes – entre as quais Banca Etica -, três das quais são abertas em "bancos armados": Unicredit, Intesa San Paolo e Bpm. E o mesmo acontece com a Caritas italiana: uma conta está em Banca Etica, mas as outras duas estão com as rainhas dos "bancos armados", Unicredit e Intesa San Paolo. Mas nem mesmo os valdenses se diferenciam: a Diaconia Valdense – o órgão que coordena a atividade social das Igrejas Valdenses – usa o Intesa San Paolo.

Depois, há as universidades pontifícias, portanto diretamente vinculadas à Santa Sé, que escolheram vários "bancos armados" como tesourarias: Banca Popolare di Sondrio para a Pontifícia Universidade Lateranense ("a universidade do Papa") e para a Pontifícia Universidade Salesiana; Unicredit para as Pontifícias Universidades Gregoriana (dos Jesuítas, que no entanto também tem conta em Banca Etica) e da Santa Cruz (da Opus Dei).

Em relação à saúde do Vaticano, a policlínica Gemelli escolheu o Unicredit, enquanto a Universidade Católica do Sagrado Coração, vinculada, optou pelo Intesa San Paolo, bem como o hospital pediátrico Bambino Gesù, cuja presidente, Mariella Enoc, assim apresentava o acordo:

"Estamos felizes em embarcar nesta nova aventura com uma realidade tradicionalmente atenta à dimensão social como o grupo Intesa San Paolo", ou seja, o segundo "banco armado" italiano.

O Campus biomédico da Opus Dei conta utiliza o Banca Popolare di Sondrio, a Casa sollievo della sofferenza (hospital do Padre Pio) o Bper.

No entanto, há vozes críticas: as revistas missionárias Nigrizia e Missione Oggi, juntamente com Pax Christi e Mosaico di pace, continuam a campanha de pressão contra os "bancos armados" e recomendam, também e principalmente às estruturas católicas, "verificar os bancos nos quais depositamos a poupança evitando aqueles grupos que financiam, justificam e apoiam a indústria, o comércio e a pesquisa militar". Palavras pouco ouvidas.

 

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