07 Junho 2026
"Cristo, ontem e hoje, "desafina o coro dos contentes" da ordem estabelecida. Desarruma dogmas e preceitos, para fazer o que deve ser feito: não discriminar ninguém; propor, generosamente, a conversão - sem exceção!", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ, ao comentar o Evangelho desse domingo.
Segundo ele, "Ele sabe - o que será que será? - "o que juram os profetas embriagados, o que está na romaria dos mutilados, na fantasia dos infelizes, no dia-a-dia das meretrizes, no plano dos bandidos, dos desvalidos, em todos os sentidos" (Chico Buarque): ânsia de vida, plenitude!".
Eis o texto.
No Evangelho desse domingo (Mateus 9, 9-13), Jesus não conclama a nenhuma "guerra espiritual" - coisa que jamais fez! Pratica, isso sim, uma acolhida desconcertante para os "bem pensantes" do seu tempo: senta-se à mesa com os odiados cobradores de impostos do Império Romano.
Não para elogiar sua função de exploração, mas para tocar seu coração. Para exortá-los a mudar de vida.
"Jesus nos chama a um compromisso sem limites com os doentes e pecadores. Para Jesus, comprometer-se é romper a monotonia e forçar a si mesmo a permanecer no amor e na solidariedade, eliminando os caprichos, as fantasias e os pretextos que são faces do egoísmo mesquinho" (MTS, Paulo Botas e Edu Spiller).
Os que se consideravam superiores, "puros" (cinicamente), donos da verdade religiosa, ficam escandalizados.
Jesus sabia da hipocrisia deles, tanto que, mais adiante, lembrará: "as prostitutas e os pecadores vos precederão no Reino dos Céus" (Mt 21, 31).
Cristo, ontem e hoje, "desafina o coro dos contentes" da ordem estabelecida. Desarruma dogmas e preceitos, para fazer o que deve ser feito: não discriminar ninguém; propor, generosamente, a conversão - sem exceção!
Ele sabe - o que será que será? - "o que juram os profetas embriagados, o que está na romaria dos mutilados, na fantasia dos infelizes, no dia-a-dia das meretrizes, no plano dos bandidos, dos desvalidos, em todos os sentidos" (Chico Buarque): ânsia de vida, plenitude!
Jesus não se fecha na "bolha" dos iguais: "não são os sadios que precisam de médico, mas sim os enfermos. Aprendam que o Pai quer misericórdia e não sacrifícios" (12, 13).
E nós? Acolhemos os marginalizados? Caminhamos em suas veredas? Temos sensibilidade para entender seus desejos, ainda que mal colocados? Sabemos enxergar nossas próprias mazelas, para nos sentarmos, humildes e fraternos, à mesa da Comunhão com os diferentes, os proscritos, os esquecidos?
Com quem nos encontramos na partilha do pão e da vida?
É urgente sair da comodidade, desapegarmo-nos inclusive da "dependência digital" que nos "protege" da presença interpeladora do outro...
Abramo-nos!
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