Para tornar nossa fé no Deus Trino crível. Artigo de Consuelo Vélez

Foto: Wikimedia Commons

29 Mai 2026

A formulação do dogma da Santíssima Trindade responde à necessidade de expressar em palavras o que foi experimentado, não com o objetivo de provar, mas de comunicar.

Acreditamos em um Deus de amor, comunidade e relacionamento, que, saindo de si mesmo, se entrega aos seus para que todos possam entrar nessa mesma dinâmica de doação e entrega mútua, de fraternidade e sororidade, de comunhão com toda a criação.

Que o nosso compromisso com a paz, a justiça e a reconciliação torne a nossa fé no Deus Trino credível.

O artigo é de Consuelo Vélez, teóloga colombiana, publicado por Religión Digital, 26-05-2026.

Eis o comentário. 

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio dele. Quem nele crê não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do Filho unigênito de Deus (João 3,16-18).

Acabamos de celebrar a Páscoa, a Ascensão, Pentecostes e hoje celebramos a Festa da Santíssima Trindade. De certa forma, a cada domingo comemoramos os mistérios da nossa fé e, assim, mantemos viva a nossa experiência cristã.

Não existem textos bíblicos que usem a expressão "Trindade". O que encontramos são confissões de fé em um só Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. O Pai nos dá o Filho, e o Filho nos dá o seu Espírito. Portanto, a formulação do dogma da Santíssima Trindade responde à necessidade de expressar em palavras o que foi experimentado, não com o objetivo de provar, mas de comunicar. Os primeiros cristãos experimentaram que Jesus agiu em fidelidade ao Pai e que os convidou a viver como filhos e filhas desse mesmo Pai e a serem guiados pelo seu mesmo Espírito. Essa forma de expressar a experiência de Deus é semelhante ao significado do termo Trindade. Cremos em um Deus de amor, comunidade e relacionamento, que, saindo de si mesmo, se entrega aos seus para que todos possam entrar nessa mesma dinâmica de doação e entrega mútua, de fraternidade e sororidade, de comunhão com toda a criação.

A leitura do Evangelho de hoje fala do amor do Pai pelo mundo, expresso no dom do seu Filho. Deus amou imensamente este mundo, a ponto de dar o seu Filho unigênito. Mas a fé é necessária para aceitar o Filho e, na medida em que o aceitamos, para ter a vida eterna. Só Deus oferece a salvação e, portanto, não julga o mundo. Seremos nós que nos julgaremos se não crermos no Filho de Deus.

A segunda leitura de hoje, extraída da segunda carta de Paulo aos Coríntios (13,13), falará mais explicitamente sobre a festa da Trindade que celebramos hoje. Paulo se despede da comunidade de Corinto, mencionando o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e atribuindo o amor ao Pai, a graça a Jesus e a comunhão ao Espírito Santo.

Que o compromisso com a paz, a justiça e a reconciliação torne crível a nossa fé no Deus Trino, porque, longe de ser um mistério incompreensível, é a própria experiência do amor trinitário na nossa realidade, com os seus desafios atuais.

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