18 Mai 2026
A mobilização, liderada pelos setores camponeses, indígenas e operários, dirige-se para La Paz para exigir a renúncia do presidente.
A informação é publicada por Página/12, 18-05-2026.
Os bloqueios de estradas, parte da greve por tempo indeterminado convocada por sindicatos e organizações sociais contra o presidente boliviano Rodrigo Paz, chegaram ao seu 14º dia no domingo, sem sinais de resolução. Grupos leais ao ex-presidente Evo Morales estão marchando pelos Andes bolivianos com o objetivo de chegar à capital na segunda-feira e exigir a renúncia do presidente Paz.
A marcha percorreu aproximadamente 40 quilômetros hoje, da cidade de Calamarca até El Alto. "Vamos chegar ao quilômetro zero (como é conhecida a Plaza Murillo) para nos unirmos à mobilização até a renúncia deste presidente incompetente e fascista", disse o líder sindical Juan Yupari à imprensa local.
A “Marcha pela Vida para Salvar a Bolívia” reúne setores camponeses, indígenas e da classe trabalhadora leais ao ex-presidente, que se opõem às medidas econômicas que Paz planeja implementar. A marcha partiu na última segunda-feira da cidade de Caracollo, a 188 quilômetros ao sul de La Paz. Os manifestantes buscam se unir à Federação Camponesa de La Paz 'Túpac Katari', ao Centro Operário Boliviano (COB) e a outras organizações que mantêm protestos e bloqueios de estradas desde a semana passada.
Os bloqueios
Os bloqueios resistiram à operação das forças de segurança, com a polícia e o exército tentando, ao longo do sábado, reabrir as estradas que isolaram a capital, La Paz. A operação resultou em 47 prisões e pelo menos cinco feridos. Um porta-voz da Federação Departamental de Trabalhadores Camponeses de La Paz, Túpac Katari, Vicente Salazar, relatou duas mortes nos municípios de Ingavi e El Alto durante a operação para remover os bloqueios, mas as autoridades negam essa informação.
Entre os feridos, encontram-se pessoas com lesões oculares e faciais que receberam atendimento médico. Também houve casos de ataques e obstrução da imprensa, bem como confrontos entre manifestantes e moradores em alguns dos bloqueios de estradas. O Provedor de Justiça, Pedro Callisaya, enfatizou que o direito de protestar deve ser exercido pacificamente e que qualquer intervenção do Estado deve respeitar os princípios da legalidade, da necessidade e da proporcionalidade no uso da força.
Callisaya reiterou também o apelo ao diálogo como mecanismo para a resolução de conflitos sociais. “Temos insistido, de forma consistente e incansável, no diálogo. Hoje, dada a situação tensa que o país atravessa, apelamos mais uma vez às partes para que se engajem num diálogo sincero, profundo e humano”, afirmou, em declarações divulgadas pela estação de rádio Erbol.
Foram instalados bloqueios em Río Seco, na estrada que liga El Alto a Copacabana e Laja; em Achica Arriba, na rodovia para Oruro; em Calajahuira, na estrada para Yungas; e em outros dois locais no município de Viacha. Há também bloqueios na ponte Achuma, em San Andrés de Machaca, e nas comunidades de Achiri, Huarina, Patacamaya, Sica Sica, Desaguadero, Curahuara de Carangas, Lahuachaca, Panduro, Colquiri e, ao norte, em Palos Blancos e Pumazani. Os bloqueios afetam a população devido à escassez de alimentos e ao aumento dos preços dos produtos básicos. Além disso, o setor de saúde alertou para a falta de oxigênio nos hospitais.
Palavras de Petro
Por sua vez, o presidente colombiano, Gustavo Petro, declarou neste domingo que a Bolívia está vivenciando um “levante popular” devido aos protestos e bloqueios que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz, e ofereceu a disposição de seu governo em contribuir para uma resolução pacífica da crise. “A Bolívia está vivenciando um levante popular. É a resposta à arrogância geopolítica”, escreveu Petro em sua conta no Twitter, onde também observou que “a América Latina e o Caribe devem ser ouvidos pelo mundo, enfrentando-o de frente em paz”. O presidente colombiano também afirmou que seu governo está disposto, “se convidado”, a “buscar soluções pacíficas para a crise política boliviana”. Ele também defendeu “nenhum preso político em qualquer lugar das Américas” e instou à construção de uma “democracia profunda e multifacetada” na região.
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