15 Mai 2026
O Papa discursa pela primeira vez na universidade romana. Ele elogia a cultura da paz e a Constituição. Uma multidão de jovens se reúne desde o amanhecer.
A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 15-05-2026.
É uma época diferente. Em 2008, Bento XVI recusou-se a inaugurar o ano letivo diante dos crescentes protestos de professores e alunos; ontem, Leão XIV foi recebido com gritos de "Viva o Papa" e uma ovação de pé no salão principal da Universidade Sapienza. Há dezoito anos, houve um confronto direto entre aqueles que defendiam a separação entre Igreja e Estado e aqueles que denunciavam a censura ao Pontífice alemão, com o governo do "católico adulto" Romano Prodi no meio. Ontem, a manhã de Prevost transcorreu tranquilamente, duas horas de sorrisos, apertos de mão e muitos smartphones erguidos para filmar o passeio de carrinho de golfe pelas avenidas da cidade universitária.
Uma visita pastoral
Ele esclarece as coisas imediatamente: "Esta minha visita esta manhã", diz de improviso, "é uma visita pastoral: para conhecer um pouco a universidade, para conhecer vocês". Leão distingue os momentos: recebido pela reitora Antonella Polimbeni e pelo Cardeal Baldo Reina, seu vigário para a diocese de Roma, ele primeiro visita a capela da universidade e depois se dirige a professores e alunos. Na igreja, ele profere palavras espirituais ("Aquele que busca, que estuda, que procura a verdade, em última análise, busca a Deus, encontrará Deus, encontrará Deus precisamente na beleza da criação"), enquanto no auditório ele se aprofunda nos principais temas da atualidade. Ele cativa a plateia, sendo aplaudido repetidamente.
Santo Agostinho e o Conflito
O Papa Agostiniano recorre a Santo Agostinho e às suas angústias juvenis para reconhecer que hoje "muitos jovens estão sofrendo" devido à "chantagem das expectativas" e à "pressão para ter um bom desempenho". Um problema que, para Prevost, deve ser transformado em recurso, "transformando a ansiedade em profecia". Ele dedica quase todo o discurso aos jovens: "o futuro ainda está por ser escrito", e soa como uma citação do The Clash: " o futuro ainda não foi escrito".
Rearmamento ou educação
O mundo que os adultos estão deixando para trás é "distorcido por guerras e discursos bélicos, uma poluição da razão que, a partir do nível geopolítico, invade todas as relações sociais", afirma Leão, que não se limita a generalizar: "Ao longo do último ano, o crescimento dos gastos militares em todo o mundo, e particularmente na Europa, foi enorme", enfatiza. "O rearmamento que aumenta as tensões e a insegurança, reduz o investimento em educação e saúde, mina a confiança na diplomacia e enriquece elites que não se importam com o bem comum não deveria ser chamado de defesa."
Gaza e Laudato si'
O Papa cita a "repúdio à guerra consagrada na Constituição italiana" e critica, em meio a aplausos, o uso militar da inteligência artificial: "O que está acontecendo na Ucrânia, em Gaza e nos territórios palestinos, no Líbano e no Irã ilustra a evolução desumana da relação entre a guerra e as novas tecnologias em uma espiral de aniquilação". Outro tema de colaboração é a ecologia: Bergoglio escreveu a encíclica Laudato si', "mais de uma década se passou desde então e, apesar das boas intenções e de alguns esforços nessa direção, a situação não parece ter melhorado".
Pacificadores
Ensinar, diz o Papa, "é uma forma de caridade, assim como resgatar um migrante no mar, um pobre na rua ou uma consciência desesperada". Ele faz uma pausa na escadaria monumental para uma despedida final: "Vamos colaborar juntos, vamos trabalhar, vamos estudar, vamos fazer tudo, desde nossos relacionamentos com os amigos, nossas palavras, nossa maneira de pensar, para construir a paz no mundo". Novos sorrisos, "Viva o Papa", e Leão sai em meio a aplausos.
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