Os lefebvristas anunciam novos bispos, e a Santa Sé emite um ultimato: "Recuem ou haverá um cisma"

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14 Mai 2026

O grupo ultratradicionalista anunciou a nomeação dos prelados em 1º de julho. O cardeal Fernández, que já explicou a recusa do Vaticano, contesta a insistência de Lefebvrianos: "Uma decisão muito séria".

A informação é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 13-05-2026.

O apelo final da Santa Sé aos lefebvristas para que "reconsiderem" e não implementem a "decisão muito séria" de ordenar novos bispos, anunciada para 1º de julho.

Contra a modernidade

Fundada por Monsenhor Marcel Lefebvre em protesto contra as reformas do Concílio Vaticano II (1962-1965), a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X – este é o seu nome oficial – cultivou ao longo das décadas posições ultratradicionalistas, questionando a abertura da Igreja ao diálogo inter-religioso e ecumênico, o reconhecimento do papel dos leigos e da liberdade de consciência, o diálogo com o mundo moderno e a ciência, e defendendo firmemente a liturgia pré-conciliar, a chamada Missa em latim.

Para garantir a continuidade de uma comunidade que tem sua sede em Éconé, na Suíça, e atrai inúmeras vocações todos os anos, durante o pontificado de João Paulo II, Monsenhor Lefebvre ordenou quatro bispos em 30 de junho de 1988, incorrendo assim em excomunhão latae sententiae.

Desses quatro bispos, dois ainda estão vivos: D. Bernard Fellay e D. Alfonso de Gallareta.

Bento XVI tentou restabelecer a comunhão, levantando as excomunhões, liberalizando o missal pré-conciliar e iniciando discussões doutrinais que, na prática, se esgotaram sob o pontificado de Francisco.

Os lefebvristas encontram-se, portanto, numa espécie de limbo jurídico: já não estão excomungados (e beneficiam de alguns serviços da Cúria Romana), mas ainda não regressaram à Igreja.

Agora, para assegurar a continuidade pastoral, o novo superior decidiu proceder à ordenação de novos bispos.

A primeira recusa

O cardeal Victor Manuel Fernandez, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, fez a declaração em um breve comunicado publicado hoje.

Nos últimos meses, ele se reuniu com o superior dos lefebvrianos, padre Davide Pagliarani, explicando-lhe pessoalmente, pela primeira vez, que as ordenações episcopais são inaceitáveis para a Santa Sé.

Apesar disso, o grupo ultratradicionalista confirmou sua intenção de nomear novos bispos na casa-mãe em Écone. A cerimônia está marcada para 1º de julho.

“Decisão muito séria”

"Em relação à Fraternidade Sacerdotal São Pio X", declarou o Prefeito do antigo Santo Ofício na nota de hoje, "reiteramos o que já foi comunicado. As ordenações episcopais anunciadas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X não possuem o mandato pontifício correspondente. Este gesto constituirá um 'ato cismático', e a 'adesão formal ao cisma constitui uma grave ofensa contra Deus e acarreta a excomunhão estabelecida pelo direito canônico'. O Santo Padre continua em suas orações a pedir ao Espírito Santo que ilumine os líderes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X para que reconsiderem a gravíssima decisão que tomaram."

Sem uma audiência com Leão

A Ordem de Lefebvrianos soma atualmente 1.482 membros. Conforme consta nas estatísticas publicadas online pela fraternidade, há dois bispos, 733 padres, 264 seminaristas, 145 "irmãos", 88 oblatos e 250 freiras. A idade média é de 47 anos, e os membros provêm de 50 países diferentes. O Padre Pagliarani já declarou ter solicitado repetidamente uma audiência com Leão XIV, que nunca respondeu.

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