Teóloga: devoção mariana pode pressionar as mulheres

Foto: Wikimedia Commons

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11 Mai 2026

Segundo a teóloga Annette Jantzen, a devoção mariana também apresenta aspectos problemáticos. Quando a Mãe de Deus é estilizada como um ideal inatingível, "simultaneamente virginal, sem pecado e mãe", isso pode levar a uma desvalorização das mulheres reais, afirmou ela em entrevista ao programa "Kirche und Leben" na quarta-feira. "Essas construções são teologicamente carregadas e estabelecidas como padrão – às vezes com consequências tóxicas, porque ignoram as realidades vividas", acrescentou.

A reportagem é de Katholisch.de, 07-05-2026.

A linguagem simbólica bíblica era originalmente muito mais aberta e ambígua. De modo geral, torna-se problemática quando interpretada literalmente. Assim, o nascimento virginal, em sua visão, não deve ser interpretado biologicamente de forma equivocada: "Tais motivos narrativos eram comuns na antiguidade para expressar o significado especial de uma pessoa."

Os textos bíblicos não têm a intenção de fornecer explicações científicas, mas sim de explicar o papel que essa mulher desempenha na história de Deus com a humanidade. Jantzen adverte: "Se, em vez disso, a pergunta for se tudo 'aconteceu exatamente assim', o nível de compreensão muda". Isso frequentemente leva a mal-entendidos e pressiona os crentes, que são obrigados a conciliar essas ideias com suas próprias vidas.

Maria como uma figura reconfortante

A devoção mariana também tem aspectos positivos, quando Maria aparece às pessoas como uma figura reconfortante que transmite proximidade, intimidade e segurança. "As imagens religiosas têm um efeito não apenas intelectual, mas também emocional e existencial. O que é crucial é como elas são interpretadas, se fortalecem ou restringem", disse a teóloga.

Ela recomenda que a percepção da "coragem, sabedoria e independência" de Maria seja mais fortemente orientada pelos textos bíblicos. Afinal, de acordo com o Evangelho de Lucas, Maria reconhece claramente "que as ações de Deus significam uma convulsão social que leva a uma maior justiça". Isso faz de Maria uma personalidade multifacetada, contraditória e vibrante.

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