08 Mai 2026
Thiago Ávila e Saif Abu Keshek permanecerão presos na prisão de Shikma, em Ashkelon, Israel, pelo menos até as 9h da manhã de domingo. Ontem, o Tribunal Distrital de Beer Sheva rejeitou o pedido de soltura apresentado com urgência pela defesa dos dois ativistas da Flotilha Global Sumud, retirados em águas internacionais em 29 de abril, mas os motivos da decisão permanecem obscuros. As acusações também não são claras: "atividades ilegais" e "ligações com o terrorismo".
A reportagem é de Mario Di Vito, publicada por Il Manifesto, 07-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Durante a audiência, Abu Keshek informou suas advogadas que havia iniciado uma greve de sede, intensificando a greve de fome que começou com Ávila uma semana antes. Seus interrogatórios nos últimos dias teriam durado horas e em condições extremas: espancamentos, ameaças e humilhações durante o transporte para o porto de Ashdod, isolamento total, privação de sono e impossibilidade de contatar suas advogadas e autoridades consulares. As autoridades israelenses, apesar de admitirem o uso da força durante a operação de abordagem da Flotilha, rejeitaram todas as acusações de tortura. Mas os depoimentos dos tripulantes libertados da Flotilha são consistentes e não diferem em nada do que Ávila e Abu Keshek contaram a suas advogadas durante os breves encontros que tiveram no tribunal.
"Os juízes não analisaram a questão da total falta de autoridade legal do Estado para proceder a uma prisão, que, na prática, foi um sequestro, em águas internacionais", afirmam as advogadas Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma, da ONG Adalah. "Para ser legal, nessas circunstâncias, a prisão teria exigido um procedimento formal de extradição. Como não existe nenhuma autoridade para proceder à prisão, cada dia de detenção subsequente é ilegal”.
Além disso, as prisões ocorreram em um navio com bandeira italiana e, portanto, sujeito à jurisdição italiana: um sequestro em todos os aspectos, sobre o qual a promotoria de Roma abriu um processo, alegando, entre outras coisas, o crime de sequestro de pessoa. Mas os tempos da justiça não são curtos. A investigação sobre o ataque à Flotilha em outubro ainda está em aberto. A investigação sobre os eventos da semana passada acaba de começar e consiste no momento em uma série de denúncias apresentadas pelas advogadas da tripulação da Flotilha. Para haver algum progresso, seria necessária uma intervenção de natureza política. Em outras palavras, a situação de Ávila e Abu Keshek — que "continuam sendo mantidos em isolamento total sob condições punitivas" — só poderia mudar com a intervenção do governo italiano. No entanto, até agora, o governo não demonstrou a menor intenção de fazer alguma coisa, se excluirmos as palavras de condenação sem precedentes proferidas pela primeira-ministra Giorgia Meloni após o ataque israelense. Em resumo, as contramedidas se limitam, por ora, a invectivas.
Nada mudou após a audiência de ontem, que, segundo as advogadas, foi conduzida de forma questionável, ao menos pelos padrões mínimos do Estado de Direito. O tribunal, explicam Abu Salih e Tuma, "baseou-se em provas secretas às quais a defesa não teve acesso e que não pôde contestar". Além disso, o tribunal aparentemente decidiu ignorar completamente o fato de que as informações fornecidas pelos ativistas durante os interrogatórios conduzidos pela inteligência e polícia israelenses eram todas "públicas e já estavam disponíveis online".
A decisão de confirmar a detenção de Ávila e Abu Keshek, segundo as advogadas, "reflete uma cumplicidade judicial profundamente preocupante", pois permite que "supostas razões de segurança totalmente infundadas sejam usadas para justificar a continuidade dos interrogatórios e da detenção dos ativistas". Isso poderia fazer parte de "um esforço mais amplo do Estado israelense para criminalizar a solidariedade e as ajudas humanitárias ao povo palestino de Gaza".
Uma tomada de posição forte sobre o caso dos dois detidos "sem acusação" veio de Thameen al Kheetan, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que pede a "soltura imediata" dos dois prisioneiros. "Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajudas humanitárias à população palestiniana de Gaza, que se encontra em extrema necessidade", afirmou o porta-voz. "Os inquietantes relatos de graves maus-tratos sofridos por Abu Keshek e Ávila devem ser investigados, e os responsáveis devem ser chamados a responder diante da justiça." Daí o apelo "pelo fim do uso, por Israel, de detenções arbitrárias e de uma legislação antiterrorismo definida de forma ampla e vaga, incoerente com o direito internacional dos direitos humanos".
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