Flotilha, ativistas acorrentados: "O governo deve intervir"

Foto: Anadolu Ajansi

Mais Lidos

  • A catolização de Jesus de Nazaré: uma febre que mata. Artigo de Daniel Luiz Medeiros

    LER MAIS
  • ‘Magnifica humanitas’, a primeira encíclica de Leão XIV, será lançada em 15 de maio

    LER MAIS
  • A pesquisadora explora imagens artísticas sobre o colapso planetário que vivenciamos e oferece um panorama das questões associadas ao fenômeno do colapso ambiental global no qual estamos inseridos

    Imagens e imaginários do Antropoceno. Entrevista especial com Carolina Cunha

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

05 Mai 2026

A detenção de Thiago Avila e Saif Abukeshek, presos por Israel, foi prorrogada por dois dias. Tel Aviv nega que terem ocorrido "torturas". As oposições pressionam Meloni.

A informação é de Chiara Sgreccia, publicada por Domani, 04-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Viralizaram as imagens de Thiago Avila e Saif Abukeshek, os dois ativistas da Flotilha Global Sumud — a missão pacífica e humanitária para levar ajudas a Gaza — levados algemados e com correntes nos pés ao tribunal em Ashkelon, onde sua detenção foi prorrogada por dois dias.

Ávila, cidadão brasileiro, e Abukeshek, cidadão espanhol e sueco de origem palestina, acorrentados, estavam entre as mais de 170 pessoas presas por Israel quando a flotilha foi interceptada em águas internacionais perto de Creta, entre 29 e 30 de abril. Aqueles vídeos, com militares israelenses acompanhando os dois ativistas com dificuldades para andar, visivelmente impedidos pelas correntes presas aos seus tornozelos, despertam uma sensação de déjà vu na Itália.

Ainda estão frescas as lembranças de Ilaria Salis, agora eurodeputada da Aliança Verde-Esquerda, em condições muito semelhantes durante seu julgamento na Hungria de Viktor Orbán. Aquelas fotos e vídeos acenderam um holofote sobre o assunto, marcando o momento em que um regime se comporta de forma autoritária. Por essa razão, a flotilha de terra - a onda de organizações que luta há meses para manter os holofotes sobre o que acontece em Gaza - está exigindo com força que o governo de Giorgia Meloni tome providências. O fato de o navio ser italiano faz com que o país não possa "se desvencilhar de suas responsabilidades; é uma questão de direito. Tem o dever de proteger os ativistas", disse a advogada Tatiana Montella, em um protesto realizado no sábado em frente ao Ministério do Exterior, em Roma, para exigir a libertação de Ávila e Abukeshek.

A equipe jurídica da Sumud já apresentou duas denúncias à Procuradoria de Roma e um recurso de urgência solicitando ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos que emita medidas cautelares para pressionar a Itália a agir em favor de Thiago e Saif. A oposição também se uniu ao apelo. O deputado do Partido Democrático, Arturo Scotto, falou de uma "obstinação sem precedentes contra ativistas que participam de uma missão humanitária", afirmando que "é necessária uma pressão muito mais forte por parte do governo italiano, visto que o barco do qual Saif e Thiago foram sequestrados desfralda bandeira italiana. Estamos diante da reiteração de um ato arbitrário que demonstra, mais uma vez, o desrespeito do governo israelense pelos direitos humanos". Angelo Bonelli, deputado da AVS que propõe uma "denúncia coletiva de todos os parlamentares italianos", insistiu para que "Giorgia Meloni pare de acobertar Netanyahu e demonstre com ações a descontinuidade que proclama a palavras".

"Acusações falsas e torturas"

Ávila e Abukeshek foram capturados na semana passada, quando a flotilha foi interceptada pela Marinha israelense em águas internacionais, perto da ilha grega de Creta, enquanto navegava em direção a Gaza. Israel alega que estariam colaborando com uma organização acusada de "agir clandestinamente em nome" do Hamas. Na manhã de domingo foram levados ao tribunal de Ashkelon, Thiago com as mãos algemadas e ambos com os pés acorrentados.

A sentença foi de que continuarão na prisão. A detenção foi prorrogada por dois dias, segundo a Adalah, o centro juridico que os representa. O ministério público havia solicitado uma prorrogação de quatro dias, apresentando uma lista de supostos crimes, incluindo auxílio ao inimigo em tempo de guerra, contatos com um agente estrangeiro e participação, prestação de serviços e transferência de bens em nome de uma organização terrorista. As advogadas Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma argumentam que "não existe base legal para aplicação extraterritorial" às "ações de cidadãos estrangeiros em águas internacionais".

As advogadas de defesa também "testemunham graves abusos físicos, que configuram torturas, incluindo espancamentos, confinamento solitário e venda nos olhos por dias no mar". O Ministério das Relações Exteriores de Israel respondeu a essas acusações, afirmando que os dois ativistas "nunca foram torturados" e que "durante a transferência dos passageiros para as forças gregas, alguns se recusaram e começaram a protestar violentamente. Para conter a violência e concluir a transferência, uma unidade policial das Forças de Defesa de Israel a bordo de uma embarcação foi obrigada a usar a força".

"O fato de Israel ter tentado nos parar imediatamente demonstra que a Flotilha é um instrumento poderoso. Estamos mostrando, inclusive com os nossos corpos, até que ponto é forte o sistema de opressão. Mas os governos europeus não podem permanecer em silêncio", reitera a Flotilha. O italiano Antonio "Tony" La Piccirella — libertado na Grécia na última sexta-feira, juntamente com os outros ativistas detidos, com exceção de Thiago e Saif — chegou ao aeroporto de Fiumicino, onde relatou os momentos em que a Marinha israelense interceptou os barcos da flotilha, descrevendo o ocorrido como "um sequestro em águas praticamente europeias, supervisionado pela Marinha grega".

Dessa forma, Thiago e Saif permanecerão em confinamento solitário na prisão de Shikma, na Palestina ocupada, por pelo menos mais dois dias. Uma detenção "ilegal", pontuada por "maus-tratos", contra a qual continuam protestando com greve de fome.

Leia mais