Provocações e advertências. Mas a Flotilha está na rota para Gaza

Foto: Esra Hocugla | Anadolu Ajansi

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07 Mai 2026

As provocações contra a Flotilha Global Sumud continuam. Durante a noite entre segunda e terça-feira, quatro embarcações da Coalizão da Flotilha da Liberdade, navegando de Siracusa em direção à Grécia para se juntarem à expedição em andamento, foram abordadas por vários meios militares não identificados. Segundo os depoimentos dos 29 passageiros a bordo, de diversos países, incluindo a Itália, a operação teria sido realizada por pelo menos um helicóptero, três drones e alguns navios com as luzes de navegação deliberadamente desligadas.

A reportagem é de Andrea Sceresini, publicada por Il Manifesto, 06-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Os dados do Marine Traffic também confirmariam que uma aeronave estadunidense da Lockheed Martin sobrevoou diretamente a frota pouco antes da chegada dos outros meios, logo após a fronteira entre as águas italianas e internacionais. "Nesse caso, os militares simplesmente se aproximaram de nossas embarcações e depois desapareceram na escuridão da noite", relata Michele Borgia, porta-voz da Flotilha da Liberdade Itália. "Não sabemos se eram efetivamente unidades do exército israelense, mas não podemos descartar essa possibilidade. Se for isso, significaria que as IDF avançaram até as fronteiras da Itália, demonstrando mais uma vez sua total falta de escrúpulos."

O que é certo, na atual situação, é que a tensão em torno da Flotilha permanece extremamente alta. Cinco dias após serem interceptadas pelas forças armadas de Israel, as 33 embarcações que escaparam da emboscada ainda estão ancoradas perto da ilha de Creta. Amanhã, ao amanhecer, após serem alcançadas pelos quatro navios da Frota da Liberdade, partirão novamente em direção à Turquia. Lá, se unirão a mais de uma dúzia de veleiros com a bandeira de Ancara. Depois disso, salvo imprevistos ou mudanças de planos, deveria começar a aproximação final às costas da Faixa de Gaza.

"A transferência para as costas da península da Anatólia ocorrerá quase inteiramente em águas nacionais, e isso deveria ser uma garantia suficiente de segurança", repetem os organizadores. Será realmente assim? Ou, como muitos sussurram, o episódio da noite passada poderia ser interpretado como uma espécie de macabra advertência? E, além disso, o que acontecerá depois da Turquia? Essas são perguntas que só Israel poderia responder. Por enquanto, porém, as únicas notícias vindas de Jerusalém dizem respeito a Thiago Ávila e Saif Abukeshek.

Ontem, o Tribunal de Primeira Instância de Ashkelon acolheu o pedido do Estado de Israel para estender a detenção dos dois porta-vozes da Flotinha por mais seis dias, até domingo. Thiago e Saif foram sequestrados por militares de Jerusalém durante a interceptação de 29 e 30 de abril, mas, ao contrário dos outros 179 passageiros capturados, permaneceram nas mãos de seus carcereiros e foram levados para uma instalação de segurança máxima em Israel. Ambos teriam sido maltratados e espancados, e estão em greve de fome há dias em protesto contra o tratamento ilegal a que foram submetidos.

"Nenhuma acusação foi formalizada contra Thiago e Saif até o momento", explicam suas advogadas, Adalah Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma. "No entanto, durante uma das últimas audiências, o ministério público apresentou uma lista de supostos crimes, entre os quais auxílio ao inimigo em tempo de guerra, contato com um agente estrangeiro, filiação e prestação de serviços a uma organização terrorista e transferência de bens para uma organização terrorista." Essas seriam, obviamente, acusações extremamente graves que, se confirmadas, poderiam ser particularmente complicadas para Abukeshek, que, por ter nascido na Cisjordânia, correria o risco de ser condenado à pena de morte pelas novas leis israelenses. "O que está acontecendo se baseia em premissas jurídicas totalmente ilegítimas", afirmam os advogados. "As supostas provas contra Thiago e Saif foram declaradas secretas, e é evidente que essas prorrogações contínuas dos prazos de detenção visam unicamente à condução de novos interrogatórios."

O presidente do Senado, Ignazio Benito La Russa, também se pronunciou sobre o caso da Flotilha Global Sumud, falando de "manifestações instrumentais e propagandísticas de pouco risco e alto retorno midiático". Concluindo assim: "Se você tiver a sorte de ser detido por três ou quatro horas e puder gritar que foi torturado, isso é o máximo que você pode esperar e almejar."

Justamente nas últimas horas, uma das 181 pessoas sequestradas por Israel confirmou ter sido vítima de atos de violência sexual por militares israelenses enquanto estava detida no navio-prisão. Um "golpe de sorte", ao que parece.

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