O medo de Putin. Inteligência ocidental: bunkers e controle supervisionado de chefs e guarda-costas

Foto: Anadolu Agency

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05 Mai 2026

O Financial Times e a CNN noticiam a repressão do presidente russo em matéria de segurança. Enquanto isso, o descontentamento cresce entre os líderes militares. Shoigu permanece um mistério.

A informação é de Enrico Franceschini, publicada por La Repubblica, 04-05-2026.

Ele não dorme mais nas dachas presidenciais em Moscou e Valdai. Passa a maior parte do tempo em bunkers subterrâneos. Proibiu cozinheiros, guarda-costas e motoristas de usar transporte público ou portar celulares. E intensificou as medidas de segurança ao seu redor. Vladimir Putin está com medo, dizem fontes da inteligência ocidental e russos que o conhecem. Medo de ser assassinado, particularmente por um drone ucraniano. Medo de ser deposto em um golpe de Estado. Como resultado, ele é visto cada vez menos: desde o início do ano, sua presença em eventos públicos diminuiu 30% em comparação com 2025 e caiu pela metade em comparação com 2024.

Dificuldades militares

O temor do líder do Kremlin baseia-se, em parte, em evidências concretas. Em dezembro passado, a Ucrânia lançou um ataque com drone na região de Valdai, a meio caminho entre Moscou e São Petersburgo. O presidente acusou a Ucrânia de tentar assassiná-lo porque uma de suas dachas está localizada naquela área. A inteligência americana negou que esse fosse o alvo. Mesmo assim, Kiev demonstrou sua capacidade de atingir grandes áreas com suas armas controladas remotamente. Enquanto isso, apesar do que a propaganda russa afirma (e do que comentaristas pró-Putin repetem em programas de entrevistas italianos), as coisas não vão bem para ele nem na frente ucraniana, onde suas tropas não conseguem mais avançar e, em alguns lugares, são forçadas a recuar, nem em outras áreas de influência no exterior, do Oriente Médio, onde Moscou perdeu um aliado crucial, a Síria, e viu outro, o Irã, enfraquecer, à África, onde os mercenários do Kremlin estão recuando para o Mali e tremendo no Níger e em Burkina Faso.

Descontentamento popular

O descontentamento também cresce internamente, devido às consequências de um conflito que já ultrapassou a participação da Rússia na Segunda Guerra Mundial: o recrutamento de um número cada vez maior de jovens, as crescentes dificuldades econômicas, a impossibilidade de fazer negócios ou mesmo passar férias no Ocidente, além dos bloqueios e da censura na internet e do aumento de impostos para pequenas empresas. O protesto impactante da influenciadora digital Viktoria Bonya, que em abril publicou um vídeo de 18 minutos dirigido a Putin, declarando que os russos o temem (vídeo esse que foi visto por 1,5 milhão de pessoas), chegou a forçar o presidente a ordenar que seus ministros e assessores comunicassem melhor ao público certas medidas aparentemente repressivas. Pesquisas realizadas por institutos de pesquisa independentes e financiados pelo Kremlin fornecem dados semelhantes: seus índices de aprovação caíram para os níveis mais baixos desde 2022, o início da guerra na Ucrânia.

Semanas no bunker

O medo de Putin parece ser parcialmente alimentado por uma forma de paranoia, levando o líder russo a suspeitar de tudo e de todos, desde a preocupação de que agentes ucranianos possam rastrear eletronicamente membros de sua equipe por meio de seus celulares (como o Mossad fez com os motoristas e guarda-costas do líder supremo iraniano Khamenei antes de assassiná-lo) até especulações sobre ousadas incursões para capturá-lo, como a americana em janeiro passado que resultou na captura do presidente venezuelano Maduro. No poder desde 31 de dezembro de 1999, Vladimir Vladimirovich começou a exibir um comportamento semelhante ao de Stalin, particularmente na fase final de suas três décadas à frente do Kremlin, quando assessores e altos funcionários desapareciam no Gulag por uma palavra ou gesto inocente. Essa paranoia é típica do crescente isolamento de Putin.

Rumores divulgados esta manhã pelo Financial Times, atribuídos a serviços de inteligência ocidentais e a pelo menos uma pessoa familiarizada com os contatos do presidente russo em Moscou, sugerem que ele passa "semanas" em um bunker subterrâneo perto de Krasnodar, no extremo sul da Rússia, discutindo os detalhes da guerra. Segundo as mesmas fontes, ele dedica 70% do seu tempo ao conflito na Ucrânia e a assuntos militares, negligenciando a política interna.

O Lamento dos Generais

O jornal The City escreve que os generais do Kremlin também são vítimas desse medo de serem assassinados ou depostos em um golpe de Estado (uma ruptura recorrente na história russa, desde o bem-sucedido golpe contra Khrushchev em 1964 até o contra Gorbachev em 1991, que fracassou, mas levou à sua queda política e ao colapso da URSS em seis meses). Após uma série de ataques, o último em dezembro, o atentado com carro-bomba em Moscou que matou Fanil Sarvarov, chefe de treinamento operacional do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, eles tiveram a ousadia de reclamar a Putin que não estavam sendo adequadamente protegidos. O presidente ordenou que a proteção e outras medidas de que ele próprio desfruta fossem estendidas a seus oficiais de mais alta patente.

Mas o descontentamento dos generais também provavelmente alimenta sua paranoia de acabar como Khrushchev e Gorbachev, ou de se tornar alvo de um assassino, de um atentado com carro-bomba ou de um ataque com drone. Desde o início de março, segundo um relatório de inteligência citado pela CNN, "o Kremlin está preocupado com o vazamento de informações sensíveis, o risco de uma conspiração e uma tentativa de golpe contra o presidente russo". Entre os membros da elite que expressam preocupação com Putin está Sergei Shoigu, ex-colaborador próximo do presidente. O ex-ministro da Defesa, atualmente secretário do Conselho de Segurança, "está associado ao risco de um golpe, pois mantém considerável influência no alto comando militar", afirma o relatório. O documento acrescenta que a prisão de Ruslan Tsalikov, ex-vice de Shoigu, em 5 de março, é considerada "uma violação de acordos tácitos de proteção entre as elites, o que enfraquece Shoigu e aumenta a probabilidade de que ele próprio se torne alvo de uma investigação judicial".

Enclausurado em bunkers subterrâneos, Vladimir Putin tem pesadelos à noite. E provavelmente também durante o dia, de olhos abertos.

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