Ramos da Paz. Breve reflexão para cristãos ou não. Comentário de Chico Alencar

Entrada de Cristo em Jerusalém, Domingo de Ramos, de Martin Schongauer. (Foto: Txllxt TxllxT/Wikimedia Commons)

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30 Março 2026

"Na Jerusalém do Templo ("transformado em covil de ladrões", dirá Ele, lá chegando e expulsando os vendilhões - Mt, 21, 13) entra um antirrei, um sereno libertador, avesso ao triunfalismo. UM DE NÓS", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ ao comentar o Evangelho do Domingo de Ramos, Mateus, 21, 1-11.

"Caminhemos sempre, como Jesus em Jerusalém) com "os amores na mente, as flores no chão, a certeza na frente, a história na mão"! (Geraldo Vandré)".

Eis o comentário.

O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa. Mais que um feriadão, nela se rememora a vida, comunhão, morte e ressurreição de Jesus Cristo - dialética da existência oferecida a todos nós.

Hoje relembra-se a entrada de Jesus em Jerusalém, na Festa das Tendas, véspera da Páscoa judaica (Mateus, 21, 1-11).

Celebrações oficiais rumorosas, massivas. Com a presença reverenciada das autoridades do Império Romano e seus serviçais, como o governador da Judéia, Samaria e Iduméia, Pôncio Pilatos.

Ele desfilava montado num cavalo fogoso, passando pelo pórtico principal, precedido por trombetas, saudado por soldados com espadas desembainhadas. Símbolos do poderio bélico, do domínio incontestável dos cesares.

Jesus de Nazaré, que seria logo depois crucificado sob acusação de pretender ser o "rei dos judeus", é o contraste, a contramão, o inverso de tudo isso: montado num jumentinho emprestado, vem, com seus discípulos, da periferia.

Na sua mansidão, é recebido com "hosanas" ("liberta-nos"). Acolhido com alegria pelo povo pobre ("bendito o que vem em nome do Senhor"), revela sua identificação com os 'de baixo': "da boca dos pequeninos e das criancinhas de peito arranquei um louvor!" (Mt, 21, 16).

Em vez de armas de guerras e degolas, ramos verdes da paz e abraços dos corações esperançados! Temos percebido (e dado bênçãos) ao que de sagrado e emancipador chega até nós, diariamente?

Na Jerusalém do Templo ("transformado em covil de ladrões", dirá Ele, lá chegando e expulsando os vendilhões - Mt, 21, 13) entra um antirrei, um sereno libertador, avesso ao triunfalismo. UM DE NÓS.

Disposto a sofrer por nós. É o divino revestido de nossa condição humana, que contém derrota, prisão, sofrimento e morte. Mas essa jamais terá a última palavra!

Caminhemos na vida como Jesus entrando em Jerusalém: na simplicidade, com coragem, sem arrogância mas determinados. E na companhia dos que, adversários da brutalidade e da morte, agitam os ramos da esperança em um mundo melhor.

Caminhemos sempre, com "os amores na mente, as flores no chão, a certeza na frente, a história na mão"! (Geraldo Vandré).

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