James Martin: "Aprendi mais sobre compaixão como garçom do que em um ano pregando"

Papa Leão XIV com o padre jesuíta James Martin. (Foto: Vatican Media)

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27 Março 2026

O pioneiro do cuidado pastoral LGBTQ+ relembra em suas memórias como sua vida mudou ao se tornar jesuíta e destaca a importância, para os católicos nos Estados Unidos, de ter um papa nascido em Chicago.

A reportagem é de José Lorenzo, publicada por Religión Digital, 26-03-2026.

“A mudança mais profunda na minha vida foi o meu maior foco em Deus. Meus pais eram católicos, mas não éramos particularmente religiosos. Foi só quando entrei para a Companhia de Jesus, depois de achar meu trabalho no mundo corporativo insatisfatório (pelo menos para mim), que minha vida realmente começou a mudar. Na verdade, vejo minha vida dividida em duas partes: antes e depois de entrar para a Companhia de Jesus”.

O jesuíta americano James Martin, conhecido principalmente por seu trabalho pastoral com católicos LGBTQ+, bem como por seus escritos na revista America e na plataforma online Outreach, ou pelo livro Building Bridges, publica agora Work in Progress, uma autobiografia bem-humorada na qual relata suas experiências "trabalhando em vários empregos típicos de verão para um menino ou adolescente da época: ajudante de garçom, lavador de pratos, caddie, lanterninha de cinema, garçom, operário de fábrica, bancário e muitos outros".

“As lições mais importantes que aprendi foram trabalhar duro, ser pontual, tratar todos com respeito e, acima de tudo, não ser cruel com as pessoas”, diz ele em entrevista ao site Katholisch.de, onde também relata outras experiências “em que fui tratado com desrespeito ou até mesmo crueldade ao realizar tarefas simples".

“Essas experiências”, conta Martin, “me ensinaram rapidamente a importância da gentileza. Na verdade, acho que aprendi mais sobre compaixão em alguns momentos humilhantes como garçom do que em um ano de sermões.”

Altamente estimado pelo falecido Papa Francisco, que o apoiou mesmo nos momentos mais críticos de seu trabalho no ministério LGBTQ+, Martin observa que, na audiência que teve com Leão XIV alguns anos atrás, “a mensagem que ele me transmitiu foi que deseja continuar com a abordagem de abertura e inclusão de Francisco. Claro, ele também tem outras questões muito urgentes em sua agenda: as guerras ao redor do mundo e muitos desafios dentro da Igreja. Mas meu encontro com ele me inspirou grande esperança e conforto em relação ao cuidado pastoral da Igreja para com os católicos LGBTQ+".

“Vejo que ele está buscando o diálogo com uma grande variedade de pessoas dentro da Igreja nos Estados Unidos, desde progressistas a tradicionalistas. E acho que existe um grande desejo de unidade na Igreja Católica nos Estados Unidos. Ninguém quer divisão, pelo menos ninguém que eu conheça. Portanto, acredito que muitos católicos americanos esperam que Leão XIV ajude a unir a Igreja. E, com esse apoio, acho que ele pode conseguir”, observa ele no Katholisch.de.

Papa Leão XIV com o padre jesuíta James Martin. (Foto: Vatican Media)

“A eleição de Leão XIV é uma grande bênção, até mesmo histórica, para a Igreja nos Estados Unidos”, observa ele. “Faz uma enorme diferença. Para começar, este é o primeiro papa em tempos recentes cuja língua materna é o inglês. Só o fato de ouvir o papa falar em nossa língua nativa já é uma mudança radical. Em essência, isso aproxima o Vaticano do povo dos Estados Unidos, o que significa que aproxima a Igreja do povo e, por sua vez, isso aproxima Deus do povo.”

“Além disso”, enfatiza ele, “agora é impossível descartar as críticas papais à política americana — por exemplo, sobre imigração — com o argumento de que ‘o Papa não entende os Estados Unidos’, como às vezes se diz do Papa Francisco. Portanto, vejo isso principalmente como uma grande oportunidade.”

A este respeito, Martin destaca como os bispos americanos estão agora liderando as críticas às deportações em massa de migrantes adotadas pelo presidente Donald Trump, uma posição especificamente exigida deles por seu compatriota do Vaticano.

“E não se trata apenas de palavras: muitos bispos visitaram centros de detenção, participaram de marchas de protesto e apoiaram migrantes de outras maneiras visíveis e concretas, e até mesmo incentivaram padres, religiosos e leigos em suas dioceses a fazerem o mesmo. A Igreja Católica nos Estados Unidos sempre esteve próxima dos migrantes, não apenas porque acolher o estrangeiro faz parte da mensagem do Evangelho de Jesus, mas também porque os Estados Unidos são um país de imigrantes.

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