20 Março 2026
Munição de penetração profunda GBU-72, de 2.300 kg, é conhecida como "bomba antibunker" e só explode quando alcança o alvo.
A reportagem é de Alexandre Schossler, publicada por DW, 18-03-2026.
Os militares dos EUA comunicaram nesta terça-feira (17/03) que atingiram posições de mísseis ao longo da costa do Irã, perto do estratégico Estreito de Ormuz, com algumas das bombas convencionais mais poderosas do seu arsenal.
O ataque teve como alvo instalações subterrâneas que abrigavam mísseis de cruzeiro antinavio iranianos que representavam um risco para a navegação internacional no estreito, segundo os EUA.
Os militares americanos disseram terem lançado bombas de penetração profunda de 5.000 libras (2.300 kg). Um militar declarou à emissora CNN que se trata das bombas oficialmente conhecidas como GBU-72 Advanced 5K Penetrator.
Esse tipo de bomba é comumente conhecido como "bomba antibunker" ou "bomba destruidora de bunker" e é usado contra instalações reforçadas ou bunkers subterrâneos.
O ataque aéreo americano ocorreu depois de o Irã ter fechado o estreito, por onde flui um quinto do petróleo mundial, em retaliação à guerra travada contra o país por Estados Unidos e Israel.
O que é a GBU-72?
A GBU-72 é uma evolução "substancialmente mais letal" de uma arma anterior, a GBU-28, e foi testada pelos militares americanos pela primeira vez em 2021.
Trata-se de uma bomba guiada de penetração, que pode superar concreto ou bunker profundos, e que detona quando alcança o alvo, já embaixo da terra, o que, segundo os militares, minimiza danos na superfície e maximiza a destruição do alvo profundo.
Segundo a Força Aérea dos Estados Unidos, ela foi projetada para superar barreiras fortificadas e alcançar alvos profundamente enterrados, podendo ser transportada e lançada tanto por aeronaves de caça quanto de bombardeio.
A Força Aérea americana não divulga a capacidade de penetração das bombas GBU-28 e GBU-72. Porém, o projeto original da GBU-28 supostamente previa a capacidade de penetrar mais de 45 metros de terra e pelo menos 4,5 metros de concreto armado, o que indica que a GBU-72 deve ter um desempenho superior a isso.
Além da maior letalidade, a bomba é também mais precisa por utilizar um kit de orientação conhecido como Joint Direct Attack Munition (JDAM), que basicamente converte bombas não guiadas em munições guiadas de precisão para todos os climas, com o uso de um receptor GPS.
O uso desse sistema, em vez da orientação a laser da GBU-28, permite realizar ataques aéreos em qualquer condição climática. Nuvens, fumaça e outros elementos de obscurecimento podem impedir o uso de armas guiadas a laser.
"Ela foi criada para substituir a GBU-28, que é outra penetradora poderosa, mas esta é guiada por GPS em vez de laser, então, faça chuva, sol ou neve, você vai atingir o alvo", explicou o sargento Zachary Schaeffer, do 57º Esquadrão de Munições, num vídeo divulgado pela Força Aérea dos EUA.
O custo estimado da GBU-72 é de 288 mil dólares por unidade.
GBU-57: Ainda mais poderosa
A bomba GBU-72 é menos potente do que a GBU-57 Massive Ordnance Penetrator (MOP), de 30.000 libras (13.600 kg), lançada pelos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas em Fordo, Natanz e Isfahan em junho de 2025.
A GBU-57 mede seis metros e pesa 13,6 toneladas. Ela é tão pesada que o bombardeiro furtivo B-2 Spirit é a única aeronave capaz de transportá-la e usá-la. Essa bomba utiliza a força do seu próprio peso, acelerada pelo lançamento de uma grande altitude.
Acredita-se que os Estados Unidos tenham apenas um pequeno número dessas bombas. Até setembro de 2011, a fabricante, a Boeing, entregou apenas 20. Sabe-se, porém, que novos pedidos foram feitos pelos militares americanos.
O projeto inicial previa que a GBU-57 era capaz de penetrar até 18 metros (60 pés) para atingir o alvo. Em 2007, a Força Aérea afirmou que essa capacidade havia sido ampliada para até 60 metros (200 pés).
Os ataques no Irã representaram o primeiro uso em combate dessa bomba.
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