Guerra no Irã, o abismo entre Trump e Leão XIV cada vez mais mais profundo. Artigo de Francesco Peloso

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09 Março 2026

"Se o Papa reza "pela paz no mundo", para que "as nações renunciem às armas e escolham a via do diálogo e da diplomacia”, na Casa Branca, um grupo de pastores evangélicos reza para o presidente Trump", escreve Francesco Peloso, jornalista, em artigo publicado por Domani, 07-03-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

O presidente dos EUA divulga um vídeo gravado no Salão Oval, onde aparece em recolhimento enquanto um grupo de pastores evangélicos reza "para que Deus continue lhe dando forças para liderar a nossa nação". Uma mensagem para o mundo MAGA, mas também uma postura profundamente diferente daquela do Vaticano, que renova os apelos pela paz. E não aceita a "política da força".

Se o Papa reza "pela paz no mundo", para que "as nações renunciem às armas e escolham a via do diálogo e da diplomacia”, na Casa Branca, um grupo de pastores evangélicos reza para o presidente Trump. “Que Deus continue a dar-lhe forças para liderar a nossa nação", ouve-se no vídeo postado nas redes sociais por Dan Scavino, vice do gabinete da Casa Branca, que mostra o magnata sentado em recolhimento em sua mesa, cercado por um grupo de líderes evangélicos que rezam com ele. "Rezo por sua graça e proteção sobre ele", são as palavras de um dos religiosos presentes. "Rezo por sua graça e proteção sobre nossas tropas e sobre todos os homens e mulheres que prestam serviço em nossas forças armadas." O pontífice também divulgou um vídeo, dessa vez mais tradicional, pois se tratava da intenção de oração de Prevost para o mês de março, dedicada à paz e realizada pela Rede Mundial de Oração do Papa, em colaboração com o Dicastério para a Comunicação.

MAGA e aiatolás

Trump também está respondendo aos protestos vindos de sua base de apoiadores MAGA, que desaprovam essa nova fase intervencionista dos EUA no Oriente Médio. Os líderes evangélicos representam, de fato, o núcleo do consenso republicano ao chefe da Casa Branca.

No entanto, também é evidente a contraposição entre as palavras e os vídeos gravados por Leão XIV e a cena de oração no Salão Oval. Sem esquecer que Trump, ao fazer isso, contrapõe um cristianismo extremista e partidário ao domínio do fundamentalismo xiita, dando aos aiatolás e ao Irã a possibilidade de atacar.

A impressão, porém, é que a ruptura entre a Santa Sé e o governo dos EUA agora é irreparável. Por outro lado, o Papa, escolhendo uma linguagem aparentemente não política e mais espiritual, certamente não poupara críticas contundentes aos vários protagonistas desse conflito.

Em sua invocação a Deus, o pontífice afirmara: "Ajude-nos a compreender que a verdadeira segurança não vem do controle alimentado pelo medo, mas da confiança, da justiça e da solidariedade entre os povos." Ele acrescentava depois: "Senhor, ilumine os líderes das nações, para que tenham a coragem de abandonar os projetos de morte, interromper a corrida armamentista e colocar a vida dos mais vulneráveis no centro. Que a ameaça nuclear nunca mais condicione o futuro da humanidade." "Que... cada palavra gentil, cada gesto de reconciliação e cada escolha pelo diálogo sejam as sementes de um novo mundo." Uma visão exatamente oposta à expressa pelo presidente dos EUA.

O direito à força

Cabe também observar que Prevost parece ter delegado a tarefa de intervir "politicamente" a alguns de seus colaboradores mais próximos, segundo um princípio de colegialidade que se concretiza na prática e não se limita à teoria. Nesse contexto, por exemplo, devem ser lidas as palavras proferidas em 4 de março pelo Secretário de Estado Pietro Parolin a respeito do conflito desencadeado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã: "Essa desconsideração pelo direito internacional é realmente preocupante: a justiça foi substituída pela força, a força do direito foi substituída pelo direito da força, com a crença de que a paz só pode nascer após a aniquilação do inimigo."

Sobre as razões específicas que estão por trás da guerra, Parolin observou: "Quando se fala das causas de uma guerra, é complexo determinar quem está certo e quem está errado. O que é certo, porém, é que ela sempre produzirá vítimas e destruição, bem como efeitos devastadores sobre os civis. Por essa razão, a Santa Sé prefere enfatizar a necessidade de utilizar todos os instrumentos oferecidos pela diplomacia para resolver as disputas entre os Estados. A história já nos ensinou que somente a política, com o laborioso trabalho da negociação e da atenção ao equilíbrio dos interesses, pode aumentar a confiança entre os povos, promover o desenvolvimento e preservar a paz."

O cardeal estadunidense Blase Cupich, arcebispo de Chicago, que se encontrou com o Papa em Roma nos últimos dias, foi igualmente explícito em uma série de declarações à mídia do Vaticano. "Pelo que sei e vejo", disse ele, "não havia nenhuma ameaça imediata como parte do que estava acontecendo no país. Fomos informados de que as capacidades nucleares do Irã, do governo iraniano, foram neutralizadas por um bombardeio ocorrido meses atrás. Portanto, a soberania de uma nação é muito importante." "Temos o mesmo problema em relação à guerra na Ucrânia", acrescentou. E agora muitos aguardam o que o Papa dirá no Angelus no domingo, 8 de março.

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