Gostaria de ser espanhol. Artigo de Michele Serra

Pedro Sánchez (Foto: Parlamento Europeu | Wikimedia Commons)

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06 Março 2026

"Não é apenas um apelo às pias esperanças às quais nos agarramos quando o chão some debaixo dos nossos pés. É a reivindicação de uma diferença cultural e política radical. "

O artigo é de Michele Serra, jornalista, escritor e roteirista italiano, em La Repubblica em 05-03-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo. 

Gostaria de ser espanhol. O discurso de Pedro Sánchez — simples, límpido: e a forma é a essência — é o discurso de um líder europeu que reconheceu a situação atual do mundo e está afirmando claramente que não existe mais uma coincidência "ocidental" entre os interesses estadunidenses e aqueles europeus: e não de hoje, pelo menos desde a insana invasão do Iraque. E acima de tudo — que alívio! — Sánchez não se limitou à necessária lista das divergências de interesses. Ele usou, com força e convicção, as categorias do justo e do injusto. Recorreu a critérios éticos que quase desapareceram da linguagem da política internacional e foram brutalmente apagados pelo reduzido vocabulário de Donald Trump. "Não à violação do direito internacional que protege a todos nós, especialmente os mais indefesos e a população civil. Não à ideia de que o mundo só possa resolver seus problemas por meio de conflitos e bombas. Não à repetição dos erros do passado... a humanidade ainda pode deixar para trás tanto o fundamentalismo dos aiatolás quanto a miséria da guerra."

Não é apenas um apelo às pias esperanças às quais nos agarramos quando o chão some debaixo dos nossos pés. É a reivindicação de uma diferença cultural e política radical. Não é apenas a ação política que diverge, mas os princípios que a inspiram. Trump fala de guerra com arrogante consideração de sua capacidade de infligir mortes (e nisto, ele acompanha os aiatolás). É um fundamentalista belicoso, e o faz reivindicando isso, desfraldando isso.

Sánchez também falou aos outros líderes europeus, dizendo-lhes que já não é mais possível adiar o momento em que a Europa reconheça que não está do mesmo lado de Trump. Trump ficou muito irritado e ameaça impor sanções à Espanha.

Por agora, duvida-se que ele decida bombardeá-la.

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