Se posso fazê-lo, então vou fazê-lo. Artigo de Michele Serra

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25 Fevereiro 2026

"É espantoso como metade do mundo fala com naturalidade sobre sua possível deposição por assassinato pelos Estados Unidos. É uma das opções possíveis: eliminá-lo, com um drone ou um míssil, quem sabe. O Pentágono é que vai decidir. E alguns apontam que, entre um bombardeio maciço e o assassinato 'cirúrgico' do líder, a última opção é menos sanguinária", escreve Michele Serra, jornalista, escritor e roteirista italiano, em artigo publicado por La Repubblica, 22-04-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

A simpatia que uma pessoa democrática, ou apenas uma pessoa civilizada, pode sentir pelo governo teocrático iraniano e seu autoproclamado Líder Supremo, Ali Khamenei, é menos que zero.

Dito isso, é espantoso como metade do mundo fala com naturalidade sobre sua possível deposição por assassinato pelos Estados Unidos. É uma das opções possíveis: eliminá-lo, com um drone ou um míssil, quem sabe. O Pentágono é que vai decidir. E alguns apontam que, entre um bombardeio maciço e o assassinato “cirúrgico” do líder, a última opção é menos sanguinária.

A questão que fica, e esta não é uma pergunta retórica, é com quais bases do direito, ou com quais bases lógicas, uma nação pode decidir condenar à morte o líder de outra nação assim, por puro arbítrio, por pura autoinvestidura. Porque decidiu assim. Porque pode: e, como pode fazê-lo, o faz.

Acabou de acontecer na Venezuela, onde o caudilho Maduro foi sequestrado e preso pelos estadunidenses. Sem mandado de prisão (estadunidense? internacional? venezuelano?), nada de nada. Apenas uma decisão e a ação correspondente: vamos nos livrar daquele sujeito. Porque não gostamos dele. Ponto.

Quase aconteceu na Colômbia, cujo presidente democraticamente eleito disse, algumas semanas atrás, que não dispõe (e não quer dispor) de nenhuma milícia pessoal e que esperou durante dias que um comando estadunidense viesse prendê-lo em sua casa, em seu país: até que, com um telefonema para Trump, conseguiu apaziguá-lo e evitar o pior.

Com licença: mas isso não é alucinante?

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