12 Janeiro 2026
“A Venezuela está funcionando muito bem. Estamos trabalhando muito bem com os líderes e veremos como tudo sai”, afirmou o presidente dos EUA. Trump eleva suas ameaças contra Cuba: “Sugiro que cheguem a um acordo antes que seja tarde demais”.
A informação é de Andrés Gil, publicada por El Salto, 12-01-2025.
“Presidente em exercício da Venezuela”. Foi assim que Donald Trump se apresentou na Truth Social com uma imagem manipulada de seu perfil na Wikipédia. O post em sua rede social ocorre quando se completa uma semana do bombardeio sobre a Venezuela e do sequestro do presidente do país, Nicolás Maduro, agora em uma prisão de Nova York.
Nesses dias, Trump afirmou estar “no comando” da Venezuela, com cuja nova presidente, Delcy Rodríguez — ex-vice-presidente de Maduro —, está negociando. “Em algum momento me reunirei com ela”, disse o presidente dos Estados Unidos sobre a presidente da Venezuela no Air Force One, retornando na noite deste domingo da Flórida para Washington DC: “Ela nos perguntou se podíamos levar 50 milhões de barris de petróleo. E eu disse que sim, que podíamos. São 4,2 bilhões de dólares. E agora mesmo estão a caminho dos Estados Unidos”.
Trump, que se encontrará nos próximos dias com a líder opositora María Corina Machado, jantou na última sexta-feira com um grande grupo de empresas petrolíferas, entre as quais estava a Repsol e seu presidente, Josu Jon Imaz, que aplaudiu a ingerência de Trump na Venezuela.
“Não gostei da resposta da Exxon”, disse Trump sobre o comentário de seu presidente, Darren Woods, que considerou a Venezuela “ininvestível”, e acrescentou: “Eu me inclinaria a deixar a Exxon de fora. Não gostei da resposta deles. Estão jogando demais”.
“Não haverá nenhum problema”, disse Trump sobre as empresas petrolíferas que investem na Venezuela: “Tiveram problemas no passado porque não tinham Trump como presidente. Tinham pessoas estúpidas”.
Repercussões em Cuba
Uma das consequências do ataque dos Estados Unidos sobre a Venezuela e das pressões econômicas e políticas sobre Caracas desde então é a situação em que fica Cuba, a quem Trump ameaçou este domingo. “Sugiro que cheguem a um acordo antes que seja tarde demais”, disse o presidente dos Estados Unidos.
“Estamos falando com Cuba”, disse Trump: “E uma das coisas de que quero cuidar é das pessoas que vieram de Cuba e que foram expulsas ou saíram sob coação e são excelentes cidadãos dos Estados Unidos. Há muita gente que foi forçada a sair de Cuba injustamente”.
Tem planos de confiscar os petroleiros que se dirigem a Cuba? “Bem, há muita gente do setor petrolífero realmente interessada”, respondeu Trump.
Em uma mensagem em sua rede social Truth Social, ele havia assegurado que “durante anos” Cuba viveu do petróleo e do dinheiro dos venezuelanos e que, após a agressão dos Estados Unidos, isso não seria mais assim. “Sugiro que cheguem a um acordo antes que seja tarde demais”, acrescentou.
Trump continuou sua mensagem assegurando que esse petróleo e dinheiro eram enviados em troca de “serviços de segurança” para Nicolás Maduro e Hugo Chávez, mas que “a maioria desses cubanos estão MORTOS [sic] pelo último ataque dos Estados Unidos”. Neste sábado, o México foi o país que enviou petróleo a Cuba através de 86.000 barris.
Neste mesmo domingo, Trump disse que lhe “parece bem” que seu secretário de Estado, Marco Rubio, seja o próximo presidente de Cuba. Ao publicar sua mensagem na rede social sobre Cuba, um usuário respondeu sugerindo que Marco Rubio poderia ser o próximo mandatário do país, ao que o presidente dos Estados Unidos disse: “Parece bem para mim!”.
“Se eu vivesse em Havana e estivesse no Governo, estaria preocupado”, disse Marco Rubio em uma entrevista coletiva ao lado de Trump, que qualificou Cuba como um “Estado falido”.
Enquanto isso, o Governo cubano respondeu às declarações de Trump assegurando que “não recebe nem nunca recebeu” compensação por serviços de segurança prestados a algum país. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, acrescentou nas redes sociais que o país “se prepara, disposto a defender a Pátria até a última gota de sangue”.
A Venezuela, por sua vez, defendeu neste domingo sua relação com Cuba.
“A relação entre a República Bolivariana da Venezuela com o Caribe e a República de Cuba cimentou-se historicamente na irmandade, na solidariedade, na cooperação e na complementariedade”, afirma um comunicado oficial.
#Comunicado 📢 La República Bolivariana de Venezuela ratifica su postura histórica en el marco de las relaciones con la República de Cuba, conforme a la Carta de las Naciones Unidas y en el Derecho Internacional, al libre ejercicio de la autodeterminación y de la soberanía… pic.twitter.com/MdOCLNVNez
— Yvan Gil (@yvangil) January 11, 2026
Caracas, além disso, ratificou sua “postura histórica no marco das relações com a República de Cuba, conforme a Carta das Nações Unidas e o direito internacional, ao livre exercício da autodeterminação e da soberania nacional”.
“A Venezuela reafirma que as relações internacionais devem reger-se pelos princípios do direito internacional, a não intervenção, a igualdade soberana dos Estados e a livre determinação dos povos. Reiteramos que o diálogo político e diplomático é o único caminho para dirimir de maneira pacífica controvérsias de qualquer natureza”, acrescenta.
A operação Resolução Absoluta de 3 de janeiro, como os Estados Unidos batizaram seu ataque militar sobre a Venezuela para capturar Maduro e sua esposa, Cilia Flores, deixou cerca de 100 mortos, segundo o Governo venezuelano, entre eles 32 militares cubanos.
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