12 Janeiro 2026
O ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Ludwig Müller, explicou por que os cardeais decidiram não incluir a liturgia como tema do consistório extraordinário. "Como o tempo era limitado, os cardeais preferiram discutir os principais desafios que a Igreja enfrenta, em vez de assuntos internos", disse Müller em entrevista à EWTN (quinta-feira). "Não é a questão central para a Igreja hoje, porque vivemos em tempos de secularização, ateísmo e alguns dos principais sistemas políticos anticristãos." Ele acrescentou estar convencido de que o Papa Leão XIV encontraria uma "boa solução para todos" nas discussões sobre a liturgia pré-conciliar.
A informação é publicada por Katholisch, 09-01-2026.
Müller foi um dos cerca de 170 cardeais com quem o Papa Leão XIV se consultou na quarta e quinta-feira sobre os temas da missão e da sinodalidade. Esses temas foram escolhidos pelos cardeais no início do encontro. Propostas para discutir a relação entre a Cúria Romana e as igrejas locais ou a forma tradicional da missa não obtiveram maioria.
Muitos cardeais desejam uma forma clássica de consistórios
Sobre o tema da sinodalidade, Müller enfatizou que o Papa Francisco condenou repetidamente a democratização da Igreja. "O problema foi a confusão entre o Sínodo dos Bispos e o chamado 'sinodalismo'", disse o ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Deve haver uma distinção entre o Sínodo dos Bispos e os órgãos sinodais em outros níveis da Igreja. Ao mesmo tempo, é claro que cardeais e bispos devem trabalhar em conjunto com os leigos. "A sinodalidade não tem nada a ver com um parlamento em um Estado democrático. A Igreja não é um Estado, mas uma assembleia de fiéis, um sacramento para a salvação do mundo em Jesus Cristo", afirmou Müller.
Na entrevista, o cardeal alemão também criticou a forma de colaboração em pequenos grupos. Esse formato, segundo ele, foi adotado das duas sessões do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade. Tradicionalmente, os cardeais se reuniam em consistórios com discursos preparados sobre uma questão específica proposta pelo Papa, que então apresentavam. "Acredito que muitos cardeais desejam retornar a esse formato tradicional", disse Müller. Ele próprio também prefere que todos falem juntos em sessões plenárias e que, posteriormente, sejam formados pequenos grupos para chegar a conclusões.
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