08 Janeiro 2026
- “Não estamos aqui para promover ‘agendas’ — pessoais ou de grupo —, mas para confiar nossos projetos e inspirações ao escrutínio de um discernimento que nos supera”, sublinhou Leão XIV diante dos cardeais.
A informação é de Jesus Bastante, publicada por Religión Digital, 08-06-2025.
“Sempre, em qualquer lugar e circunstância, poderemos ajudar-nos mutuamente — e, em particular, ajudar o Papa — a encontrar os ‘cinco pães e os dois peixes’ que a Providência nunca deixa faltar quando seus filhos pedem ajuda; e acolhê-los, entregá-los, recebê-los e distribuí-los, enriquecidos com a bênção de Deus, a fé e o amor de todos, para que a ninguém falte o necessário.” O Papa Leão voltou a pedir a ajuda do Colégio Cardinalício durante a homilia celebrada, diante de 170 purpurados, na basílica de São Pedro.
Após refletir sobre a palavra “Consistório”, ou “assembleia”, que significa “parar”, Leão XIV agradeceu aos cardeais por terem “suspendido por um tempo nossas atividades e renunciado a compromissos inclusive importantes, para nos reunirmos e discernirmos juntos o que o Senhor nos pede para o bem de seu Povo”.
“Isso é, em si mesmo, um gesto muito significativo, profético, especialmente no contexto da sociedade frenética em que vivemos”, refletiu o Papa, que recordou “a importância, em cada percurso da vida, de parar para rezar, escutar, refletir e assim voltar a focalizar cada vez melhor o olhar na meta, dirigindo para ela todos os esforços e recursos, para não correr o risco de correr às cegas ou de golpear o ar”.
De fato, sublinhou, “não estamos aqui para promover ‘agendas’ — pessoais ou de grupo —, mas para confiar nossos projetos e inspirações ao escrutínio de um discernimento que nos supera”, esclareceu, “e que só pode vir do Senhor”. Daí a importância de saber “realmente escutar sua voz, acolhendo-a no dom que somos uns para os outros, que é o motivo pelo qual nos reunimos”.
“Nosso Colégio, embora rico em muitas capacidades e dons notáveis, não é chamado a ser, em primeiro lugar, uma equipe de especialistas, mas uma comunidade de fé, na qual os dons que cada um traz, oferecidos ao Senhor e devolvidos por Ele, produzam o máximo fruto, segundo sua Providência”, pediu o pontífice, que voltou a reivindicar o “parar” como “um grande ato de amor — a Deus, à Igreja e aos homens e mulheres de todo o mundo — com o qual nos deixamos moldar pelo Espírito, primeiro na oração e no silêncio, mas também olhando-nos nos olhos, escutando-nos uns aos outros e tornando-nos voz, por meio da partilha, de todos aqueles que o Senhor confiou aos nossos cuidados como pastores, nas mais diversas partes do mundo”.
Uma humanidade faminta de bem e de paz
Uma ajuda, também, para agir “diante da ‘grande multidão’ de uma humanidade faminta de bem e de paz, em um mundo no qual a saciedade e a fome, a abundância e a miséria, a luta pela sobrevivência e o desesperado vazio existencial continuam dividindo e ferindo as pessoas, as nações e as comunidades”, que pedem que lhes seja dado de comer.
O que vocês oferecem à Igreja com seu serviço, em todos os níveis, é algo grande e extremamente pessoal e profundo, único para cada um e valioso para todos; e a responsabilidade que compartilham com o Sucessor de Pedro é grave e onerosa.
“E quantos pães vocês têm?”, é a pergunta seguinte. “Isso podemos fazer juntos. De fato, nem sempre conseguiremos encontrar soluções imediatas para os problemas que devemos enfrentar. No entanto, sempre, em qualquer lugar e circunstância, poderemos ajudar-nos mutuamente — e, em particular, ajudar o Papa — a encontrar os ‘cinco pães e os dois peixes’ que a Providência nunca deixa faltar quando seus filhos pedem ajuda; e acolhê-los, entregá-los, recebê-los e distribuí-los, enriquecidos com a bênção de Deus, a fé e o amor de todos, para que a ninguém falte o necessário.”
“Queridos irmãos, o que vocês oferecem à Igreja com seu serviço, em todos os níveis, é algo grande e extremamente pessoal e profundo, único para cada um e valioso para todos; e a responsabilidade que compartilham com o Sucessor de Pedro é grave e onerosa”, concluiu o Papa, que voltou a agradecer ao Colégio Cardinalício, “de todo o coração”.
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