Petro e Trump amenizam as tensões entre os EUA e a Colômbia após uma ligação de uma hora: "Se não houver diálogo, haverá guerra"

Foto: Flirck CC

Mais Lidos

  • O Papa descreve o Concílio Vaticano II como a "estrela polar do caminho da Igreja" e apela ao progresso na "reforma eclesial"

    LER MAIS
  • “A memória sem cérebro desafia a associação quase automática entre memória e sistema nervoso central”, exemplifica o pesquisador

    Os mistérios mais atraentes da neurobiologia vegetal são os que questionam as categorias do pensamento moderno. Entrevista especial com Guilherme Soares

    LER MAIS
  • No capitalismo mafioso Nicolás Maduro veste Nike. Artigo de Ivana Bentes

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

08 Janeiro 2026

Os governos de ambos os países afirmam que a conversa foi "construtiva", depois de Trump ter sugerido que o mesmo que foi feito na Venezuela com Maduro poderia ser feito na Colômbia.

A informação é da EFE, publicada por El Diario, 08-01-2026.

A ligação telefônica que ocorreu nesta quarta-feira entre os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e dos Estados Unidos, Donald Trump, amenizou as tensões diplomáticas entre os dois países, que haviam se intensificado desde o último sábado com a prisão, em Caracas, do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Os governos colombiano e americano destacaram o "tom construtivo" da conversa, que durou uma hora e pôs fim, pelo menos por ora, a uma escalada verbal na qual Trump chegou a afirmar que lhe parecia uma boa ideia realizar na Colômbia uma operação semelhante à que culminou na captura de Maduro.

Em um discurso proferido em Bogotá, que ele próprio convocou "em defesa da soberania" após as ameaças de Trump, o presidente colombiano afirmou: "Em meio ao debate que eclodiu nestes últimos dois ou três dias, eu tinha um discurso preparado para hoje e agora tenho que fazer outro. Não é fácil. O primeiro discurso foi bastante duro."

Trump, por sua vez, anunciou que se reunirá com Petro na Casa Branca e afirmou ser "uma grande honra" conversar com o presidente Petro, que o telefonou para discutir a situação relacionada ao tráfico de drogas e outros desentendimentos existentes entre as duas administrações.

Petro disse à multidão reunida na Praça Bolívar, em Bogotá, que conversou com Trump sobre diversos assuntos de interesse bilateral, um deles sendo o restabelecimento da comunicação entre os dois governos, por meio do Ministério das Relações Exteriores e do Departamento de Estado, que havia sido interrompida pelos constantes episódios de crise na relação.

“Se não houver diálogo, haverá guerra. A história da Colômbia nos ensinou isso”, disse Petro em seu discurso, no qual lamentou “a falta de comunicação com o governo Trump” desde o início de seu segundo mandato presidencial, em janeiro de 2025.

O presidente colombiano também esclareceu ao seu homólogo americano que não é um narcotraficante e apresentou os números do seu governo sobre o combate às drogas, destacando a colaboração que mantém com o governo Maduro para enfrentar esse flagelo.

“Tive que apresentar os números a ele, poucos, os mesmos que repeti aqui, explicando por que sou acusado (de ser um traficante de drogas) se passei 20 anos arriscando minha vida, lutando contra traficantes de drogas poderosos e políticos aliados a eles”, disse ele.

Ele também lhe contou sobre o trabalho realizado com o governo venezuelano no combate ao narcotráfico: “Eu lhe disse que com Maduro havíamos organizado operações conjuntas, ele lá e eu aqui, em Catatumbo (região fronteiriça)”, onde atuam guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN), dissidentes das FARC e grupos de narcotraficantes.

Petro é um crítico ferrenho das operações antidrogas dos Estados Unidos no Mar do Caribe e no Pacífico Oriental, nas quais dezenas de barcos supostamente carregados com drogas foram afundados e mais de cem tripulantes morreram.

Essa postura tensionou seu relacionamento com os EUA, que em setembro revogaram seu visto e, posteriormente, o Departamento do Tesouro o incluiu, juntamente com outras pessoas de seu círculo, na lista do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), conhecida como Lista Clinton, depois que Trump o acusou de ser um "chefão do narcotráfico".

Conversa com Delcy Rodríguez

Petro também informou Trump sobre a conversa que teve dois dias antes com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, a quem propôs um diálogo tripartite com os Estados Unidos para estabilizar a sociedade venezuelana e evitar um surto de violência.

“Também conversei há dois dias com a atual presidente da Venezuela, Delcy. Conheço-a desde o início de tudo isso. Convidei-a para a Colômbia. E queremos estabelecer um diálogo tripartite, e, com sorte, um diálogo global, para estabilizar a sociedade venezuelana, que, assim como na Colômbia, pode entrar em erupção com violência interna, e queremos evitar que isso aconteça”, enfatizou.

A esse respeito, Petro afirmou que, quando se encontrar com Trump na Casa Branca, "teremos que conversar" sobre essa proposta, porque "a paz na Venezuela é paz na Colômbia e vice-versa".

Leia mais